18 novembro 2006

O farol do Bugio ou Torre de São Lourenço “da Cabeça Seca”

A número 1 da minha nova máquina! (não, esta não tira fotos debaixo de água! essa vou ter que a pedir ao Menino Jesus ou ao Pai Natal para ma pôr no sapatinho...).
O guardião da barra do Tejo, construído sobre uma restinga de areia que seria a única da zona a manter-se a descoberto, daí o nome de Cabeça Seca, começou por ser uma fortificação de madeira mandada construir por D. Sebastião. Esta fortificação, que combinada com a fortaleza de São Julião da Barra cruzava o fogo de artilharia na entrada do Tejo, acabou por ser desfeita pelo mar.
Já durante a ocupação filipina, é iniciada a obra de construção do actual forte (as pedras para as fundações e construção tiveram que srr transportadas de terra), que apenas ficaria concluído já no reinado de D. João IV.
Em 1758, o Marquês de Pombal determina a construção de 6 faróis na costa, entre os quais o de São Lourenço, que passaria assim a dar apoio à navegação.
O forte, ou farol ou torre do Bugio, ou de São Lourenço, é formado por uma torre circular, com 2 pisos, encimada pelo farol, e com uma muralha também circular, mais baixa.
Recentemente foram feitas obras de protecção e de reconstrução da muralha.

16 novembro 2006

Uma Estratégia para o Mar?

Foi hoje aprovada, em Conselho de Ministros, a "Estratégia Nacional para o Mar", depois de um processo de consulta pública que terminou no passado dia 3 de Novembro. Será que estes menos de 15 dias permitiram ponderar e integrar os comentários? Quando o documento for publicado sabê-lo-emos...
Mas de uma coisa tenho dúvidas... é que tenham conseguido fazer da "Estratégia" uma Estratégia. E então porquê?
Uma Estratégia começa por ter uma Missão e uma Visão. Definida a Missão e a Visão são identificados quais os Objectivos (Estratégicos) que permitem concretizá-las. Estes Objectivos na prática são metas quantitativas, associadas a variáveis facilmente identificáveis e mensuráveis e terão que ter horizontes temporais muito bem definidos. Fixados os objectivos e respectivas metas importa então:
– programar e calendarizar as acções (políticas, planos, projectos e medidas) que permitirão atingir os objectivos dentro das metas definidas;
– identificar o quadro de recursos técnicos e financeiros necessários para a concretização das acções e a identificação das instituições, entidades e fontes de financiamento a envolver;
– formular indicadores associados aos objectivos, que permitam identificar os níveis de progresso e os seus impactes económicos, sociais e ambientais;
– definir um programa de acompanhamento e avaliação que, com base nos indicadores de progresso, permita reavaliar o quadro estratégico de referência e/ou proceder à eventual reprogramação/reforço das acções.
Neste caso, “Estratégia Nacional para o Mar”, o documento que foi a consulta pública não clarificava a Missão e Visão, apesar de até se perceber que existiriam por trás dos objectivos apresentados (eventualmente pode ter sido corrigido).
As acções propostas, são interessantes e se um dia concretizadas poderão contribuir para que “o aproveitamento sustentável do Mar, em benefício das populações, venha a constituir uma realidade efectiva e credível” (se é que a minha interpretação da Visão subjacente foi a correcta).
No entanto, estas acções não estão programadas nem calendarizadas e, apesar de o índice da “Estratégia” dar a entender que foram definidos os elementos que lhes seriam subsequentes, a própria forma e a ordem como esses elementos são elencados não faz mais do que confirmar que a “estratégia” é pouco mais do que uma declaração de intenções.
Quando? como? com que meios? como corrigir e adequar? eram questões a que o documento não respondia. Só se este que foi aprovado trouxer essas respostas é que se poderá dizer que Portugal tem uma Estratégia para o Mar!

Bastidores do Oceanário (a não perder!)

Hoje, dia 16 de Novembro, às 18 horas é inaugurada a exposição "Bastidores do Oceanário", no Oceanário de Lisboa.
"Os objectivos desta exposição temporária são:
- Mostrar alguns animais habitualmente não visíveis
- Mostrar a elevada complexidade na manutenção de um espaço como o Oceanário
A exposição está dividida em quatro áreas relacionadas com os animais, o seu meio ambiente, o seu bem-estar e o trabalho desenvolvido pelo Oceanário. (...)
Há, ainda, uma zona extra na qual o público pode ficar a conhecer o delicado e complexo ciclo de vida das medusas.
As actividades e equipamentos que permitem manter os aquários passam, assim, para primeiro plano, enquanto os biólogos e aquaristas do Oceanário explicam como se desenvolve o trabalho diário que permite manter os animais em condições óptimas."
VISITEM! Eu estive a ver isto tudo (Obrigada Oceanário!) e é ESPECTACULAR!!!
E o ciclo de vida das medusas é LINDO!...

15 novembro 2006

Ideias para Portugal (1)

Algarve: Mar, Turismo, Serra, Agua

Pontos Fortes

  • Maior crescimento populacional do país (15,8%) e um nível de poder de compra dos mais elevados (108,8%), mas algumas dificuldades em concelhos da serra algarvia, sobretudo junto ao Guadiana
  • Crescente reconhecimento internacional - vocação turística: turismo directamente responsável por 45% do PIB e 37% da população activa (66% e 60%, respectivamente, considerando todo o cluster)
  • Ria Formosa: valor natural a proteger e maior centro de produção de aquacultura marinha do país
  • Níveis ainda elevados de protecção do ambiente e património natural: os valores naturais e paisagísticos são um activo imprescindível para o desenvolvimento da região a longo prazo.

(nas fotos, de cima para baixo: a ria de Alvor e o rio Guadiana, a montante de Castro Marim)

Pontos Fracos

  • Ocupação sazonal, e desordenada do território: sobrecustos de infraestruturas e desqualificação
  • Crescente falta de água provocada pela seca, pelo aumento dos usos e pela não construção da barragem de Odelouca que irá abastecer 7+2 concelhos (em contencioso comunitário desde 1999)
  • Desertificação da “serra” associada ao envelhecimento da população e agravada pelos incêndios

(na foto: Portimão, em 2001, junto ao actual porto de recreio)

Oportunidades

  • Espaço de serviços avançados, integrado na sociedade de conhecimento alavancado pela cooperação entre universidades e pelo reforço das referências internacionais
  • Destino turístico de qualidade apoiado em eventos desportivos, culturais ou empresariais, servindo de catalizador para o combate à sazonalidade, a uma maior qualificação dos serviços e do território e veículo de promoção dos produtos regionais agrícolas e piscícolas
  • Ampliar as condições de apoio à náutica de recreio e turismo náutico, através da requalificação de áreas portuárias (cruzeiros em Portimão, náutica de recreio em Sagres, Faro, Olhão e Vila Real de Santo António)
(nas fotos, de cima para baixo: uma maquete de uma armação de atum em exposição na Quinta de Marim do Parque Natural da Ria Formosa e um navio de cruzeiro fundeado ao largo de Portimão)
Apostar no futuro
  • Plano de acção assente em duas “ideias-força”: turismo como actividade económica fundamental e necessidade de qualificação e formação para um melhor desempenho desta actividade
  • Assumir o intermunicipalismo: complementaridade e rentabilização de equipamentos e funções
  • Estimular a produção aquícola marinha, promovendo o aumento da sua intensidade tecnológica por intervenção da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade do Algarve
  • Apostar na logística associada à produção de citrinos e outros produtos regionais e no sector empresarial transfronteiriço
  • Programa de valorização da “serra” - fixação da população e consolidação e desenvolvimento de actividades económicas -, através de parcerias entre actores locais e entidades, e de apostas em vertentes como a reflorestação, agricultura, pecuária, caça, turismo complementar ao sol/praia, organização da produção e transformação de produtos tradicionais de qualidade, apoio a pequenos negócios (agro-indústrias, gastronomia, serviços, transformação)
(nas fotos, de cima para baixo: a marina de Vilamoura, uma alfarrobeira, um sobreiro ao qual foi retirada a cortiça)

Ideias para Portugal

Há uns meses pediram-me um texto, que ajudasse a caracterizar e a propor ideias para Portugal. Usei como base as análises feitas no PRASD (Programa de Recuperação de Áreas e Sectores Deprimidos) e completei-o com outros estudos e planos estratégicos - o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território, o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Península de Setúbal, o Plano Estratégico da Região de Lisboa, Oeste e Vale do Tejo, o PIDDAR 2006, da Região Autónoma da Madeira, os dados do poder de compra do INE para 2004, outra informação que sempre fui recolhendo e actualizando e, sobretudo, com o meu interesse em “antecipar” Portugal.
Penso que a minha análise não terá servido para grande coisa. Resolvi por isso apresentar aqui, agrupadas por distrito (ou região), algumas ideias para desenvolver Portugal.

Que lindo dia!

Às 12 e 20...

Às 12 e 40...

não, aquilo não é o sol, é mesmo o candeeiro reflectido no vidro que é a única maneira de se conseguir trabalhar com esta escuridão...

(desculpem a qualidade das fotos mas ainda não tenho máquina fotográfica.. estas são mesmo do telemóvel)

11 novembro 2006

Dia de São Martinho

Na falta de castanhas assadas, aqui ficam elas, ainda nos seus trajes de Verão.

10 novembro 2006

Dom Duarte e a Democracia

Com o patrocínio da Real Associação de Lisboa, vai ser lançada, no próximo dia 22 de Novembro pelas 19.00 horas em Lisboa, a obra de Mendo Castro Henriques "Dom Duarte e a Democracia". Com Prefácio de S.A.R. Dom Duarte Pio, Duque de Bragança, e com Postfácio de Gonçalo Ribeiro Telles, o livro será apresentado por Manuel Alegre, Vice-Presidente da Assembleia da República.

ainda a Povoação...

"Subimos sempre... De repente por um rasgão descubro o mar azul entre escarpas verdes. Logo a estrada começa a descer e logo reaparecem as culturas, os campos de milho, as eiras doiradas com a palha debulhada. É neste ponto da estrada que se dá de caras com a Povoação. (...) Por trás a serra, o Pico da Vara e o Lavaçal. Dum lado o mar que entra pela terra dentro por um chanfro brutal da costa. O que completa a beleza deste grande panorama de trabalho e de luz é a colaboração do oceano e da serra."
in "As Ilhas Desconhecidas", Raúl Brandão

Ilha de S. Miguel (VIII)

Doze anos depois da descoberta da ilha de Santa Maria, desembarcou nos areais da Povoação a tripulação da nau capitaneada por Gonçalo Velho, cavaleiro e frade da Ordem de Cristo e Senhor de Almourol. Por ser a primeira, ficou com este nome, tendo sido aqui que se ouviu pela primeira vez uma missa em terra de S. Miguel. O rei D. Afonso V mandou-a povoar em 1439, concedendo a sua capitania, juntamente com a de Santa Maria, a Frei Gonçalo Velho Cabral.

09 novembro 2006

Também estive lá...

Mas já foi há uns anos... E também tirei uma foto do mar para terra! só que foi mais perto ;). Parece que além da marina agora vão fazer um porto de pesca. Esperemos que não aproveitem a ideia de fazer um no ilhéu!

07 novembro 2006

Ilha de S. Miguel (VII)

Os primeiros povoadores escolheram para assentar a capital de S. Miguel, um lugar do centro da ilha, no litoral Sul, tendo fronteiro um ilhéu, com o seu abrigado porto natural. A essa capital, foi dada o nome de Vila Franca do Campo.
Em 22 de Outubro de 1522, um tremor de terra destruiu a vila, tendo valido no momento a energia do capitão-donatário Rui Gonçalves da Câmara e de sua mulher, D. Filipa Coutinho. Após a reconstrução, um alvará régio concedeu-lhe privilégios idênticos aos da cidade do Porto.
Logo após o sismo, o rei D. João III, a requerimento do capitão donatário, mandou examinar o ilhéu para determinar da viabilidade de se construir no seu interior um porto de abrigo. Ficou então estabelecido que o ilhéu comportaria um porto para 30 navios, sendo para tal necessário alargar a entrada e criar os cais que fossem necessários. Contudo, este projecto não teve execução, sendo retomado novamente nos anos de 1654, por ordem de D. João IV, novamente a pedido do capitão donatário e de 1691 - nos tempos de D. Pedro II, igualmente sem qualquer efeito prático.
O ilhéu dista 1200 m do cais do Tagarete, havendo ligações regulares de Junho a Setembro.
Em baixo, uma fotografia da "boca do crocodilo", numa das arribas do ilhéu.
A Batalha Naval de Vila Franca marca cruelmente a história desta localidade. O recontro foi travado no dia 26 de Julho de 1582, a sul da ilha de São Miguel, entre uma força luso-francesa, comandada por Filippo Strozzi, e uma armada castelhana, mas que incluía boa parte da armada portuguesa, comandada por D. Álvaro de Bazán, marquês de Santa Cruz. Surge na guerra civil que se seguiu à aclamação de D. António I e à entrada de Filipe II de Espanha na posse do trono nacional. As forças lusas-francesas foram derrotadas e, D. António, foi obrigado a refugiar-se na ilha Terceira, seguindo-se um enorme massacre em Vila Franca do Campo.
debaixo de água, no ilhéu, com alguma suspensão...

06 novembro 2006

As aventuras da Garina do Mar... numa ilha do Atlântico (3)

2º dia
Às 9 e meia saio do hotel. Lá está, parada em frente à porta, uma carrinha da Porto Santo Sub e o Zé Ricardo. Vou mergulhar! Pelo caminho apanhamos a Joana e o Hugo e vamos até ao porto onde se localiza o centro de mergulho. “De que é que precisas?” “Colete, garrafa e chumbos... 8 kg!”. Experimento um colete... “não, small não dá... tem que ser médio”, equipo a garrafa, visto as calças do fato, preparo a máquina fotográfica “vou precisar de lanterna?” “não, hoje não vale a pena...” pomos as coisas todas na carrinha e vamos até ao passadiço “e os chumbos? não vi os chumbos..” “estão a bordo...”
Junto ao passadiço vestimos o colete com a garrafa, levamos a “tralha” toda até ao semi-rígido e partimos para a Pedra do Jota, ligeiramente a sul do ilhéu de Cima. O Zé Ricardo vai ficar a bordo e a Joana faz o briefing. E avisa “ponham o capuz do fato que isto está cheio de peixe porco e um dia destes levei uma dentada na orelha”. Peixe porco! são tão irritantes.
Relembro uma história que se passou comigo o ano passado no Banco D. João de Castro em que um peixe porco se “atirou” a mim.
Saltamos para a água: “está óptima!”. Descemos até cerca dos 17 metros onde encontrámos a plataforma rochosa que descia até um fundo de areia 5/6 metros mais abaixo. A água era espantosamente azul, com uma visibilidade fantástica.
Os rochedos, sem vestígios de algas ou corais estavam cobertos de ouriços pretos mas com um “núcleo” azul eléctrico e umas “agulhas” bem compridas. À volta deles castanhetas (ou serão “azuletas”?) também pretas e azuis.
Logo a seguir um peixe-cão, grande, colorido. E o primeiro peixe porco (um pampo) que nunca mais nos largou até ao final do mergulho.
E depois, sargos por todo o lado. Aqui também lhes chamam “dobradas”. Num buraco de um rochedo uma moreia, daquelas pretas com pintas brancas... poisei a mão numa pedra para a fotografar e sinto uma dentada “estúpido peixe-porco!”, dei-lhe com a máquina e afastou-se para voltar logo a seguir... estes peixes são tipo moscas quando estamos ao sol, por mais que se enxotem não descolam, e estes ainda por cima são agressivos...
A Joana faz-nos sinal e aponta para o fundo de areia... tal como nos tinha dito no briefing, lá estavam as enguias de jardim... umas dezenas, bamboleando-se na água, mas é impossível aproximarmo-nos, enfiam-se logo na areia, e aquela distância nunca iriam ficar na fotografia... Experimentei o zoom. Resultou!
Voltámos para trás. Durante um bocadinho segui um peixe-trombeta mas não o consegui fotografar. Na areia “pastavam” salmonetes enormes.
Novo sinal da Joana a apontar para a base de um rochedo. O computador avisava o limite de mergulho sem descompressão. Mas 3 minutos de patamar não eram problema... desci, por baixo do rochedo um túnel, o azul do outro lado era lindo... e no buraco volteava um mero enorme... talvez para não se deixar fotografar!
E um bocadinho mais à frente outra moreia, desta vez com umas bolas grandes castanhas e um ar bastante agressivo. Estava na hora de subir, fomos até ao cabo do ferro que a Joana soltou do fundo. Olhei para cima, via-se claramente o nosso barco. De facto esta água é mesmo transparente. 22,4 metros. 45 minutos. Um bom mergulho.
Regressámos ao porto, lavámos os fatos e o resto do equipamento, ficavam a secar no centro até ao dia seguinte, e o Zé Ricardo levou-me de volta ao hotel. “Amanhã às 9 e um quarto”.
Passava pouco do meio-dia. O tempo não estava famoso. Para ir até à praia estava frio. Mas estava um dia bom para irmos dar a volta à ilha de jipe. Fomos investigar na agência que estava instalada no hotel: a volta demorava cerca de 3 horas, mas para o circuito das 2 e meia já não havia vagas “Só amanhã. E o melhor é marcar já!”. Pois, mas eu tinha mergulho de manhã, podíamo-nos atrasar e perdia a saída. Lembrámo-nos que tínhamos o contacto da empresa que nos tinha feito o transfer. E que oferecia o circuito por menos 1 Euro! Ligámos. Também não tinha vagas. Mas tinha uma vantagem: o circuito era às 3 e meia, dava-me mais folga, e demorava 3 horas e meia ou 4 porque a Carla Sofia gostava de explicar as coisas todas. Óptimo! marcámos para o dia seguinte.
E agora? mais uma volta na Talassoterapia? estudámos o folheto. Não ajudava muito. “Vamos lá perguntar. Assim aproveitamos a “happy hour”. De novo uma tentativa para que nos “vendessem” um programa engraçado... nada, aquela gente não tem mesmo jeito! ou não estão para trabalhar! Mais umas perguntas sobre os produtos que ofereciam e marcámos uns “duches vichy”. Fui eu primeiro. Aquilo era “simpático”: só um quarto de hora, e em vez daqueles cremes peganhentos, a massagem era dada com a ajuda de uma linha de duches de água salgada que corriam pelas costas. Bastante melhor que a massagem shiatsu da véspera. Talvez seja de repetir. A seguir dei “uma volta” pelo sauna e banho turco, mas não, decididamente não gosto daquilo… consigo estar 10 minutos no sauna sem sequer suar!
À saída encontrámos o Miguel do centro de mergulho do hotel. Estava de facto com um ar bastante doente, e preocupado por não ter podido levar-me a mergulhar. Para o descansar contei-lhe o mergulho que tinha feito…E fomos almoçar! estávamos famintas! voltámos à tasquinha do João do Cabeço para comer aqueles maravilhosos pregos no bolo do caco . Enquanto almoçávamos o sol voltou a aparecer de maneira que fomos até à piscina.. mas o calor não era muito: umas nuvens irritantes teimavam em não sair da frente do sol… e aquelas italianas que não se calavam eram tão insuportáveis que tivemos de mudar de lugar.. “Despachei” um dos livros que tinha levado e “já que não há mais nada para fazer!” resolvemos ir a pé até à ponta sul da ilha, a ponta da Calheta, jantar ao restaurante “Calhetas”.
Ao fim do dia metemo-nos ao caminho pela estrada. Entre a estrada e a praia há terrenos agrícolas numa espécie de “masseiras”,
mas o mais impressionante era o ravinamento das encostas do cabeço do Zimbralinho. Não deve ser bom estar numa daquelas casas no sopé do monte em dia de enxurrada.
A ponta da Calheta é um espectáculo!
o mar batia desencontrado no estreito que separa a ilha do ilhéu de Baixo (ou da Cal), iluminado pelos tons laranja do por do sol. Ao longe, já na penumbra via-se a ilha da Madeira.
No "Calhetas" com vista para o mar e o ilhéu, tinham-nos reservado uma mesa na esplanada.. Um sítio simpático. A ementa não era muito variada mas parece que os filetes de peixe espada com banana estavam bons. O meu arroz de marisco também não estava mau, apesar de estar cheio de mexilhões que eu tinha pedido para não porem. E também é simpático terem uma carrinha para levar os clientes aos hotéis.
No bar do hotel, o único sítio onde havia rede wireless, os italianos que enchiam o hotel estavam animadíssimos num espectáculo de karaoke . Como é que eu ia conseguir “contar” o mergulho da manhã? Acabei por descobrir um cantinho mais sossegado. E lá o publiquei:
(continua...)

04 novembro 2006

Um passeio pelo Alandroal: o(s) santuário(s) do Endovélico

Em tempos, em estudos que fiz para o Alentejo, tinha ouvido falar no santuário do Endovélico, no concelho do Alandroal. Despertou-me curiosidade: sempre gostei da época pré-romana e o Endovélico, antes de ser “assumido” pelos romanos, era um deus dos Lusitanos, mas não investiguei o assunto. Há pouco tempo, a propósito de um passeio a Monsaraz lembrei-me do santuário e, quase logo a seguir, leio “A voz dos Deuses” do João Aguiar, um livro muito interessante sobre Viriato, onde quem “conta” a história é um sacerdote desse santuário. Tinha que ir investigar. O que não é fácil, porque Endovélico é o nome da base de dados do IPA, ou seja numa busca na net aparecem todos os registos arqueológicos dessa base de dados.
As referências “oficiais” localizam o santuário em São Miguel da Mota, no Alandroal, com base nos trabalhos de Leite Vasconcellos que, neste local, encontrou inscrições em aras dedicadas a Endovélico e uma escultura que seria uma sua imagem.
Mas entretanto descubro um relatório do IPA “Novas investigações no santuário de Endovélico (S. Miguel da Mota, Alandroal): a campanha de 2002”, onde se conclui que neste local “não subsistem vestígios de ocupações pré-romanas” e que “procedemos a prospecções geofísicas na encosta nascente que revelaram um conjunto de estruturas soterradas que parece indicar a existência de um “santuário de terraços”. Assim, o santuário de Endovélico terá sido uma construção monumental de plano clássico, edificada em época romana, que será investigado em futuras campanhas”.
E um texto publicado pela Casa de Sarmento sobre povoamentos proto-históricos no Alentejo, refere que na ribeira do Lucefécit havia um outro santuário, o da Rocha da Mina.
Poderia ser este o verdadeiro santuário do Endovélico? no Alandroal pensam que sim. Depois de ter ido a um e a outro, e sem fundamento nenhum que não seja o da minha intuição, fiquei a achar o mesmo: que o de São Miguel da Mota é uma “invenção” dos romanos, e que o da Rocha da Mina é um santuário de um deus celta.
Começando por este. Os acessos actuais (a cada um dos santuários) fazem-se a partir da EN 373, entre o Redondo e o Alandroal. Neste sentido, a Rocha da Mina é o primeiro. Por um estradão de terra chega-se ao rio Lucefécit. Com um jipe talvez se consiga ir mais longe, mas o passeio a pé ao longo do rio é bonito.
E começam a ver-se ao longe as fragas da Rocha da Mina.
Quando nos aproximamos, um obstáculo francamente aprazível: o Lucefécit (que significará “fez-se luz”), reflecte as árvores e os rochedos.
O rio contorna, quase a totalidade do promontório rochoso.
Ou seja, é preciso atravessá-lo.
(foto SNIG)
E para isso há um “caminho das pedras”, que não é difícil mas obriga a molhar os pés.
E depois é preciso trepar.
Chegar ao “território” do Endovélico tem que ser merecido.
E vale a pena: quando se chega lá acima encontra-se uma escada escavada na pedra;
que conduz a um altar.
E a vista é fabulosa, com o rio a correr cá em baixo a toda a volta.
Pode ser do esforço, pode ser da vista, pode ser daquela combinação de floresta, rio, fragas, mas sente-se que se chegou a um lugar sagrado.
Cá em baixo, a caminho do rio, descobrem-se ainda vestígios do que terá sido um castro - uma calçada, muros de habitação, uma linha de água “canalizada” - e depois, quase à beira de água, ruínas de edifícios com um ar mais recente.
Quanto ao outro, o de São Miguel da Mota: é preciso voltar à estrada e apanhar um novo estradão.
Pelo caminho podem ainda visitar-se mais dois castros: o “Castelinho” e o “Castelo Velho” também empoleirados nas escarpas do Lucefécit.
E por fim chega-se a uma colina, suave, com uma vista ampla, ruínas de uma capela (e uns redis), um marco geodésico, escavações arqueológicas onde se vêem pedaços de mármore, uns rochedos com uma disposição interessante e o rio bem longe. Um santuário? terá sido. À moda dos romanos.

01 novembro 2006

5421 - a última foto da minha primeira digital!

Ao fim de pouco mais de dois anos, e de cerca de 40 mergulhos, a caixa estanque resolveu reformar-se...
escusava era de ter levado com ela a minha canon digital... Mas essa pelo menos provou o que valia...
CINCO MIL QUATROCENTAS E VINTE E UMA FOTOS! desde o dia 8 de Maio de 2004, até ao dia 29 de Outubro de 2006: quase dois anos e meio... quase 6 fotos por dia!
Mas pronto a santola ficou, na foto claro! Acho que foi o meu mergulho mais curto: 18,5 metros. 16 minutos!! e o mais caro...