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06 janeiro 2019

Um passeio na Bretanha: Dinan


Indo então ao 33 do mapa, Dinan é uma vila do interior, a Sul de Saint Malo, que tem que fazer parte de um roteiro da Bretanha.
Tinha passado por lá em 99: quando fui a Brest buscar um barco e andei a passear de comboio pela Bretanha (já contei algumas histórias por aqui), reparei que o comboio (entre Saint-Malo e Brest) passava por Dinan e que conseguia um intervalo de pouco mais de uma hora entre dois comboios o que teria que chegar para eu visitar a vila. O tempo estava todo muito bem contado: em Saint Malo saí a voar do ferry que me trazia de Guernesey para apanhar o comboio. Chegada a Dinan, como já nessa altura já não havia cacifos nas estações, tive que convencer o chefe da estação para poder deixar com ele a mochila e corri em direcção ao viaduto que passa por cima da Rance e de onde tirei a foto acima. Do viaduto corri até ao rio, percorri os cais e as ruas antigas, voltei "a correr" até à zona da estação (o que não era fácil dado ser tudo a subir, aliás com a mochila teria sido impensável), encontrei uma crêperie onde pedi uma "gallette de blé noir aux lardons" e só quando já tinha comido metade da gallette é que concluí que ainda tinha meia hora até ao comboio seguinte e desacelerei…


Desta vez pude visitar Dinan com a calma que merecia, começando logo por estacionar o carro num parque relativamente próximo da "ponte velha".

Houve tempo para visitar os cais,

admirar as pitorescas casas,

as ruelas estreitinhas

e por vezes bem inclinadas,

e ainda para saborear um delicioso (na realidade meio) "kouign amann" (e dos pequeninos ;) ).

30 dezembro 2018

Um passeio na Bretanha: Brocéliande


Resolvi saltar por cima do 33 (lá voltarei) e ir directamente para o 34 do mapa, a floresta de Paimpont ou de Brocéliande.
É mais um exemplar da floresta atlântica que ainda resiste na Bretanha e ao qual está associado o imaginário de Artur, Merlin e Morgana.


Existem vários guias e percursos assinalados que nos levam a percorrer os caminhos desta floresta de carvalhos e faias,

a visitar o "túmulo do Merlin" (na foto abaixo), onde apenas são visíveis as duas lajes que restam de um "dólmen de corredor", completamente destruído por caçadores de tesouros,

e o "vale sem retorno", onde Morgana aprisionava os cavaleiros infiéis no amor e onde a ribeira mostra a influência do minério de ferro na região.

Aqui perto, na aldeia de Tréhorenteuc, pode-se passar umas horas no posto de turismo tão grande é o acervo de informação e de merchandising sobre a floresta e o "imaginário arturiano".
E não se pode também deixar de ir espreitar o magnífico carvalho alvar (quercus petraea), em francês "chêne sessile ou rouvre",


que, com mais de 23 m de altura e uma circunferência do tronco com mais de 5 m a 1,3 m de altura, domina a floresta que o envolve.

E nesta floresta encantada são também muitos os lagos e lagoas como o "étang" de Pas du Houx com o seu lindíssimo castelo e floresta envolvente.

E quando andava à procura de um guia online para deixar aqui com mais informação, cheguei à conclusão de que fiquei com muito por ver.

09 dezembro 2018

Um passeio na Bretanha: as ostras de Cancale


Cancale, o 32 do mapa, é sobretudo conhecida pelas suas ostras.
E é verdadeiramente notável a área ocupada pelas 975 concessões de ostreicultura:


que permitem umas imagens bem engraçadas,

cheias de contrastes.

Não sei como é que os tractores andavam por aquele lodaçal, por vezes bem carregados.

Enquanto fotografava os talhões de ostras num instante montaram um pequeno mercado, com meia dúzia de tendas (na realidade são 8: ver aqui), no paredão do molhe.

Provavelmente o mercado também funciona à maré para assegurar ostras fresquinhas.

06 dezembro 2018

Um passeio na Bretanha: Cancale e a ponta de Grouin


Com falta de tempo para passeios há que ir ao baú e ainda bem! porque dei conta que não tinha acabado de contar o passeio que fiz na Bretanha.Tinha ficado em Saint Malo, o nº 31 do mapa e era agora a vez de falar do nº 32, Cancale, já quase no fim da costa Norte da Bretanha.
O primeiro local de paragem foi a ponta de Grouin, numa zona de costa bastante irregular, cheia de ilhotas, promontórios e claro pequenas baías sempre bem aproveitadas como fundeadouros.


O "semáforo" da ponta de Grouin, essencial para assinalar os inúmeros perigos desta costa, partilha o seu espaço com um centro de interpretação dos espaços naturais que o rodeiam.

Ao longe, já na Normandia, vê-se por entre as brumas a mística silhueta do Monte Saint-Michel, que desta vez não visitei.

Quando nos aproximamos de Cancale começam a ver-se os viveiros das ostras que tornaram esta povoação tão conhecida e de que falarei mais tarde.

E depois o porto dominado por um pequeno farol (mais um)

e pelo engraçado farolim do molhe.

19 dezembro 2016

Um passeio na Bretanha: de regresso a Saint Malo

Saint Malo é, para mim, uma das mais bonitas cidades da Bretanha. Já lá tinha estado uns dias quando fui ajudar a trazer um barco de Brest para Lisboa e aproveitei para passear pela Bretanha e dar um pulinho a Guernesey: é em Saint Malo que se apanham os ferries, como o da foto, com destino às chamadas "ilhas do Canal"...

Por isso, num passeio pela Bretanha, tinha que ser local de passagem obrigatório: o 31 do mapa.

Esta pequena cidade fortificada deve o seu nome a um monge galês Mac Low que, no século VI, foi nomeado bispo de Alet, o povoado fundado cerca de um século aC. No século XIV, Saint Malo alia-se ao rei de França, Charles VI, que lhes concede franquias portuárias e, no fim do século XV, é mesmo integrada no Reino de França, devido ao casamento de Anne, duquesa da Bretanha com o rei de França.

Ocupando um promontório rochoso, Saint Malo, a cidade dos corsários, ardeu parcialmente em 1661 e foi restaurada por Vauban e Garangeau tendo adquirido enorme prosperidade, nos séculos XVII e XVIII, graças aos seus navegadores e mercadores que negoceiam com as Índias, a China, África e as Américas.

Em 1944 a vila intramuros foi destruída na sua quase totalidade, tendo a restauração demorado cerca de 30 anos, tornando-se uma cidade amuralhada lindíssima, muito procurada pelos turistas, e um importante centro náutico.

Porque se deve ir a Saint Malo? Pela marginal protegida da erosão por uma curiosa defesa frontal feita de troncos de madeira que conseguem amortecer a força das ondas.

Pelas inúmeras ilhotas muitas delas fortificadas que a rodeiam e cujo aspecto muda radicalmente com a maré

(ver aqui mais fotografias do Fort National, o da foto de cima,
e aqui o efeito da maré nas ilhas de Grand Bé e no forte de Petit Bé, o da foto de baixo).

Outro forte muito engraçado é o de La Conchée (foto de baixo), também do sistema de defesa concebido por Vauban.

Vale a pena também passear pela cidade amuralhada, com os seus hotéis de charme,

a lindíssima peixaria localizada no centro de uma das praças

e ainda, claro, pelas excelentes galettes e crêpes acompanhadas de cidre brut.

A página do Office de Tourisme de Saint Malo tem bastante informação sobre a cidade e os seus atractivos turísticos.

12 dezembro 2016

Um passeio na Bretanha: o farol do cabo Fréhel

Há dias, quando recomendava a uma pessoa amiga que vai passar férias à Bretanha, a consulta deste pequeno "roteiro", apercebi-me que, apesar de este meu "passeio" já ter 15 artigos alusivos, ainda só vou no 4ª de 9 dias de passeio efectivo. Vou tentar ir publicando mais coisas brevemente...
E por hoje aqui fica o 30 do mapa.


O cabo Fréhel separa as baías de Saint-Brieuc e de Saint-Malo pelo que o seu farol tem uma importância relevante para a segurança da navegação nesta costa muito fustigada pelo vento.

Este farol, uma torre de pedra aparelhada centrada num edifício em forma de U, é o 4º farol do cabo Fréhel.

O primeiro "farol", aqui construído em 1650, incluía três chamas de sebo misturado com terebentina: tinha a função de vigilância para prevenir os ataques dos ingleses e simultaneamente sinalizar a costa durante a noite.

Em 1694, Vauban propõe a construção de uma torre para vigiar os ataques da frota inglesa e este farol, que começa a funcionar em 1702, é uma torre redonda com 3 andares iluminada a carvão de lenha. As despesas relacionadas com a manutenção e iluminação do farol são pagas por uma taxa cobrada aos navios que fazem escala entre o cabo Fréhel e Regnéville, já na Normandia. Em 1774, foi instalado um novo sistema de iluminação com reflectores simples e o combustível passa a ser uma mistura de óleo de peixe e óleo vegetal. Em 1821, os reflectores são substituídos por lâmpadas "de corrente de ar (lâmpadas d’Argand) com reflectores parabólicos.

Em setembro de 1844 inicia-se a construção de uma nova torre octogonal, com 22 m de altura e uma óptica de Fresnel e em 1860 é instalado um posto electro-semafórico. Em 1940, devido à sua localização estratégica, o farol de Fréhel foi rodeado de inúmeros elementos defensivos e de radares de vigilância aérea e marítima.

A 11 de Agosto de 1944, a torre foi destruída pelas tropas alemãs (mais uma nesta zona...) e é a torre de 1702 (que aparece também nas fotos) que serve de farol com uma luz provisória até 1950.

O farol actual começa a ser reconstruído em 1947, com características mais funcionais e é instalada uma luz eléctrica, em 1950. Actualmente o farol é controlado a partir de Saint-Malo e é um dos 5 faróis franceses mais potentes, com um alcance de 53 km.

(clique na foto para ampliar)
O edifício e a torre são visitáveis e a torre até tem elevador!!

Em 2011, o farol foi classificado como monumento histórico.
Mais sobre o farol aqui

O próprio cabo Fréhel merece também uma visita: as suas falésias rosadas dão abrigo a uma reserva ornitológica e está classificado como sítio da Rede Natura 2000 pela diversidade florística, em especial coloridas plantas de charneca (urzes, juncos, etc.).

Ao longe vê-se o forte La Latte, inicialmente forte da rocha Goyon, o nome de uma importante família da Bretanha, desde 937 até 1597, quando foi desmantelado devido a guerras internas. Entre 1690 e 1715 foi recuperado e integrado no sistema de defesa do litoral de Saint-Malo. No século XIX foi abandonado até ser classificado como monumento nacional em 1925 e restaurado em 1931.

Actualmente é o castelo mais visitado da Bretanha a seguir ao castelo dos duques em Nantes (mais em http://www.castlelalatte.com/).

07 março 2016

Um passeio na Bretanha: Bréhat e Loguivy


De regresso ao meu passeio pela Bretanha, chego agora ao 26 do mapa.

No meu imagínário (em resultado da leitura do livro do Poly na Bretanha ;) ) a ilha de Bréhat era bem maior e mais afastada de terra! Se soubesse que era tão pertinho talvez tivesse programado uma ida lá, assim tive que a ver de longe, a partir de l'Archouest onde se localiza o embarcadoro.

(clicar na foto para ampliar)

Muito engraçada é a enseada de Loguivy (em baixo), quase imperceptível na imagem do Google Maps de cima...


O controlo da pesca nesta zona é tão importante que até nos cafés estão afixados os regulamentos sobre o que se pode pescar.

Também importantes são as balizas de navegação tantas são as rochas e ilhotas semeadas no mar da Bretanha.

03 julho 2012

Cammas Groupama 4: a vitória à volta do mundo!


O VOR70 Groupama 4, comandado por Franck Cammas, ficou em 2º lugar na 9ª (e última) etapa da Volvo Ocean Race e ganhou esta regata!

Em 2º na geral ficou o vencedor desta etapa, o CAMPER with Emirates Team NZ, em 3º e também 3º na etapa, o PUMA Ocean Racing by BERG e em 4º o Team Telefónica. O Abu Dhabi Ocean Racing e o Team Sanya que ainda não acabaram a regata são, respectivamente, o 5º e o 6º na classificação geral.
(mais logo publico mais fotos...)