05 julho 2020

De regresso aos Bijagós (4º dia: "disputas" de abutres)


Quando nos instalámos para almoçar, ainda pudemos assistir a uma cena engraçada no areal: um enorme peixe estava a servir de almoço de três abutres-de-capuz (Necrosyrtes monachus).
Pouco depois chegam mais uns quantos e foi giro poder apanhar dois deles à luta no ar.


Entretanto apareceu também um abutre-das-palmeiras (Gypohierax angolensis) para pôr ordem no assunto.

O que é certo é que conseguiu ir-se aproximando

e pouco depois estava também a alimentar-se do peixe!

E nós terminámos de almoçar e era hora de partir em direcção à ilha de João Vieira. Apesar de chegarmos muito ao fim do dia ainda conseguimos ver o recinto para onde os guardas do Parque deslocam os ninhos das tartarugas, devidamente assinalados com a data da postura.

25 junho 2020

Sesimbra, ao cair da noite

Conheço Sesimbra há mais de cinco décadas e, de vez em quando, gosto de passear por lá... não só pela vila, como também pelo porto de abrigo.
O vento que tinha soprado todo o dia desapareceu e o anoitecer tornou-se sereno e apetecível para andar calmamente junto ao molhe.
Ainda me lembro bem da praia do porto de abrigo que começava logo ali, um pouco à esquerda da rampa dos barcos, onde hoje se situa todo aquele betão e pavilhões pré-fabricados, se calhar necessários, mas que me faz impressão ver.
A última vez que me recordo de ver cavalos-marinhos naquelas águas abrigadas, ainda somente por um único molhe, foi exactamente ali, saído da areia para uma apneia, talvez com os meus 10-11 anos.

19 junho 2020

De regresso aos Bijagós (4º dia: passeio pela praia)


A indicação que tínhamos é que era um passeio bonito até ao farol que está na ponta Papagaio e que aí havia uma piscina natural onde poderíamos tomar banho.
Assim a vedeta deixou-nos na ponta Canapá onde existe um pequeno braço de mar e onde o espraiado das ondas dá origem a uma pequena falésia de erosão.


O caminho até ao farol fazia-se bem, mas o vento que levantava bastante areia (parecia o Guincho) limitou as fotografias.
E o farol (no lado direito da foto) é apenas uma estrutura metálica que, ao que parece, há quem use como "aparelho de ginástica".


Quanto à piscina, que até é bonita, tivemos azar: a maré já estava bastante baixa quando lá chegámos e já não deu para mergulhar. Também é verdade que a água estava um bocado fria.

Como na ponta Papagaio estava menos vento consegui fotografar a baía que tínhamos percorrido (ao fundo vê-se a ponta Canapá),

e ainda uma pequena embarcação de pesca que aproveitava o facto de aquela baía estar mais abrigada do vento.

Quando regressámos à ponta Canapá o Africa Princess ainda estava em "manutenções": limpeza do fundo, do motor, etc.... E como o banho não apetecia o Bouba vei-nos trazer os aperitivos: as famosas castanhas de caju da Guiné e ainda umas bebidas frescas.

08 junho 2020

O Parque das Nações "posto em sossego"


Seguindo a ideia do Laurus Nobilis resolvi ir dar uma volta pelo Parque das Nações. A antiga Expo98 continua muito deserta de visitantes o que permite que algumas aves tomem conta do espaço, como esta garça cinzenta, que tirava partido do lodaçal que se formou numa das bacias portuárias.

O Vasco, guardião do lindo edifício do Oceanário, não perde o sorriso, talvez por ver que mesmo apesar da crise ainda há quem o vá visitar.

A luz do fim do dia que tudo banhava de ouro, permitiu também capturar algumas imagens diferentes, e

ainda ver de que material são feitos os bigodes do lince que agora contempla a doca dos Olivais.

Mas a maior surpresa foi este pato que me deixou aproximar o suficiente para fotografar as suas coloridas penas.

Depois de um jantar num restaurante praticamente deserto, a lua, quase cheia, deu também um motivo para uma última fotografia.

02 junho 2020

Em Belém, junto ao Tejo

Desta vez, acabei a explorar algumas das preciosidades que ainda restam da Exposição do Mundo Português, que decorreu entre 23 de Junho de 1940 e 2 de Dezembro do mesmo ano; teve como objectivo celebrar não só a grandiosidade de Portugal à época, como também a fundação do Reino de Portugal (1140) e a Restauração da Independência (1640) - depois da vitória na Batalha de Ourique, D. Afonso Henriques assume-se como rei em 1140.
Devido às características efémeras dos materiais utilizados e ao facto da zona ter sido fustigada por uma enorme tempestade no início de 1941, a maioria dos pavilhões foram destruídos. Somente a partir de 1960 é que esta zona merece uma atenção especial por parte do poder político, havendo uma intervenção de fundo em todo o espaço da actual Praça do Império e zonas adjacentes. Muitos dos espaços, pavilhões  e elementos esculturais foram recuperados, embora quase nenhum corresponda fielmente aos originais.
O Padrão dos Descobrimentos foi totalmente reedificado para assinalar os 500 anos da morte do Infante D. Henrique (Comemorações Henriquinas). O Museu de Arte Popular, que abriu as suas portas em 1948 e é considerado Monumento de Interesse Público desde 2012, estava integrado na outrora Secção Colonial da Exposição; o edifício ostenta alguns magníficos painéis com relevos sobre usos e práticas rurais e, no espaço exterior, a relembrar a sua vocação original do início da década de 40, ainda podemos apreciar uma lindíssima escultura de elefantes desenhada por Cottineli Telmo, embora em mau estado de conservação.
O farol, que pertencia originalmente ao Pavilhão da Terra e do Mar ainda por lá está, sobranceiro... esta área, que engloba muitos dos elementos que integraram a Exposição de 1940, está agora incluída numa chamada zona de protecção especial, embora não se perceba bem qual o seu objectivo, já que o espaço merecia mais e melhor por parte de quem o administra. Por fim, já que a noite se avizinhava, restava somente constatar que um passeio em Belém, junto ao Tejo, ao fim da tarde, é sempre um enorme prazer.

22 maio 2020

De regresso aos Bijagós (4º dia: os habitantes do mangal)


Uma boa forma de assinalar o dia internacional da Biodiversidade é trazer para aqui (alguns d)os habitantes do mangal do rio Canecapane.
Um dos mais interessantes, talvez porque inesperado, é esta águia (afinal a Guiné-Bissau é o paraíso dos abutres e, quando muito, das águias pesqueiras) que me parece ser uma águia calçada (Hieraaetus pennatus), das que aparecem por cá no Verão.
Outro também insólito é o crocodilo, vimos vários mas, como têm o mesmo comportamento dos do continente, mal nos sentem aproximar entram na água e aqui era quase de mergulho.


E depois claro, muitas outras aves de que só deixo aqui alguns registos mais simbólicos como o da Ibis sagrada (Threskiornis aethiopicus),

o desta garça dos recifes, ou garça negra (Egretta gularis) com as suas cómicas patas amarelas

e o da águia pesqueira africana (Haliaeetus vocifer), que neste caso era mesmo e não um abutre das palmeiras com o qual é muitas vezes confundida.

E obviamente, num sítio destes, os peixes, que só aparecem indirectamente representados nesta armadilha, colocada pelos pescadores de Uite, para os apanhar na vasante.

Os pescadores claro que não podiam faltar porque fazem também parte da biodiversidade do arquipélago dos Bijagós.

Pois, eu sei que faltam os abutres, mas para eles ainda era cedo e como percebemos (e mostrarei) mais tarde estavam bastante entretidos com os restos das pescarias.

17 maio 2020

De regresso aos Bijagós (4º dia: o mangal do rio Canecapane)


De manhã (relativamente) cedo, para aproveitar a maré, fomos, de lancha, visitar o "rio" Canecapane.

O "rio" vai fazendo meandros entre ilhas, ilhotas e bancos de areia,



mas o mais bonito são os mangais que delimitam as suas margens.

Mostrando outros braços de mar como o de cima, ou deixando entrever, como em baixo, pequenos canais provavelmente abertos pelas canoas da aldeia de Uite, estes mangais são uma visita a não perder.

É engraçado ver a marca da maré, muito direitinha, deixando à mostra as raízes aéreas,

e quando nos aproximamos mais é possível ver alguns dos habitantes dos mangais, neste caso as ostras que escolhem aquelas raízes para se agarrarem.

Dos outros falarei mais tarde...

10 maio 2020

De regresso aos Bijagós (3º dia: a chegada a Orangosinho)


Saímos da baía de Ancutum, em Canhambaque, em direcção à ilha de Orangosinho onde iríamos pernoitar no "rio" Canecapane.

Orangosinho era uma estreia dado que em 2016 não tínhamos passado por lá. O rio Canecapane, que na realidade é um braço de mar que dá acesso à aldeia de Uite, é lindíssimo com as suas margens revestidas de um imenso mangal.

Na realidade as fotos conseguem mostrar as lindas cores do pôr do sol, mas não fazem jus à tranquilidade que ali existia sobretudo quando o motor do Africa Princess se "calou".

Como ainda por cima ali havia rede, a tripulação, entretida a pôr as chamadas em dia, não ligou logo a habitual música animada do fim de tarde e então só se ouvia o som das inúmeras aves que por ali andavam.

A determinada altura, já depois do sol posto, passou um barco de pesca, ou para uma pesca nocturna ou para esperar pela maré num local mais perto do mar.

E o dia acabou no meio daquela tranquilidade e a deixar antever o lindo passeio que iríamos fazer no dia seguinte para descobrir os mangais.