20 janeiro 2019

Namíbia - Swakopmund

Swakopmund é a segunda cidade mais populosa da Namíbia, com cerca de 40.000 habitantes. Fica situada na costa, a Oeste de Windhoek e, juntamente com Walvis Bay, é uma estância balnear bastante popular. 
Foi fundada em 1892; para além de muito bonita, é um dos exemplos mais bem preservados da arquitectura colonial alemã no mundo.
Foi colonizada por imigrantes alemães, sendo um dos poucos locais em África onde uma minoria considerável da população tem raízes germânicas, falando entre si em alemão. 
As origens mais antigas desta comunidade são efectivamente honradas, ao ponto dos mortos alemães das duas grandes guerras serem lembrados num memorial construído para o efeito e que se manteve intacto, mesmo após a independência da Namíbia, em 1990.
Como em todo o lado, os portugueses marcam presença; desta feita, um compatriota radicado neste país desde finais 1975, após ter fugido de Moçambique, no rescaldo do processo de independência.
Nota-se por todo o lado que as raízes são europeias e o esforço para preservar o património arquitectónico é notável, como por exemplo neste antigo hospital, inaugurado em 1902, que acabou convertido em hotel. 
Até 1915, foi o principal porto de mar do Sudoeste Africano Alemão. Actualmente, é um dos locais preferidos de muitos habitantes de Windhoek para passarem as suas férias de Verão, existindo um cordão de casas de veraneio junto às praias. 
Os sinais de trânsito por estas paragens são, em muitos casos, bastante diferentes dos que habitualmente vemos nas nossas estradas... aqui, alerta-se para a presença de galinhas do mato.
E, efectivamente, um pouco mais à frente, lá estavam elas.

13 janeiro 2019

Simon's Town


Os navegadores históricos e os primeiros colonizadores da Cidade do Cabo concluíram que a baía da cidade era demasiado desabrigada e encontraram uma alternativa em False Bay, do lado Nascente da península do Cabo.

Apesar do vendaval, Simon's Town tornou-se assim uma cidade e base naval das mais antigas da África do Sul, onde navios da marinha convivem com embarcações de recreio.

A cidade é quase só uma rua, com edifícios muito interessantes, que só muito raramente "atravessam" a rua para o lado do mar

e muitos deles são hotéis ou casas de turismo de habitação.

Os restaurantes de peixe também são bastante procurados e ainda existe um Museu Naval e o Warrior Toy Museum que é resultado de uma coleção de brinquedos reunida ao longo de 60 anos.

Mas o grande atractivo de Simon's Town são os pinguins de Boulder's Beach (boulders são estes rochedos arredondados) que mostrarei noutro dia.

06 janeiro 2019

Um passeio na Bretanha: Dinan


Indo então ao 33 do mapa, Dinan é uma vila do interior, a Sul de Saint Malo, que tem que fazer parte de um roteiro da Bretanha.
Tinha passado por lá em 99: quando fui a Brest buscar um barco e andei a passear de comboio pela Bretanha (já contei algumas histórias por aqui), reparei que o comboio (entre Saint-Malo e Brest) passava por Dinan e que conseguia um intervalo de pouco mais de uma hora entre dois comboios o que teria que chegar para eu visitar a vila. O tempo estava todo muito bem contado: em Saint Malo saí a voar do ferry que me trazia de Guernesey para apanhar o comboio. Chegada a Dinan, como já nessa altura já não havia cacifos nas estações, tive que convencer o chefe da estação para poder deixar com ele a mochila e corri em direcção ao viaduto que passa por cima da Rance e de onde tirei a foto acima. Do viaduto corri até ao rio, percorri os cais e as ruas antigas, voltei "a correr" até à zona da estação (o que não era fácil dado ser tudo a subir, aliás com a mochila teria sido impensável), encontrei uma crêperie onde pedi uma "gallette de blé noir aux lardons" e só quando já tinha comido metade da gallette é que concluí que ainda tinha meia hora até ao comboio seguinte e desacelerei…


Desta vez pude visitar Dinan com a calma que merecia, começando logo por estacionar o carro num parque relativamente próximo da "ponte velha".

Houve tempo para visitar os cais,

admirar as pitorescas casas,

as ruelas estreitinhas

e por vezes bem inclinadas,

e ainda para saborear um delicioso (na realidade meio) "kouign amann" (e dos pequeninos ;) ).

30 dezembro 2018

Um passeio na Bretanha: Brocéliande


Resolvi saltar por cima do 33 (lá voltarei) e ir directamente para o 34 do mapa, a floresta de Paimpont ou de Brocéliande.
É mais um exemplar da floresta atlântica que ainda resiste na Bretanha e ao qual está associado o imaginário de Artur, Merlin e Morgana.


Existem vários guias e percursos assinalados que nos levam a percorrer os caminhos desta floresta de carvalhos e faias,

a visitar o "túmulo do Merlin" (na foto abaixo), onde apenas são visíveis as duas lajes que restam de um "dólmen de corredor", completamente destruído por caçadores de tesouros,

e o "vale sem retorno", onde Morgana aprisionava os cavaleiros infiéis no amor e onde a ribeira mostra a influência do minério de ferro na região.

Aqui perto, na aldeia de Tréhorenteuc, pode-se passar umas horas no posto de turismo tão grande é o acervo de informação e de merchandising sobre a floresta e o "imaginário arturiano".
E não se pode também deixar de ir espreitar o magnífico carvalho alvar (quercus petraea), em francês "chêne sessile ou rouvre",


que, com mais de 23 m de altura e uma circunferência do tronco com mais de 5 m a 1,3 m de altura, domina a floresta que o envolve.

E nesta floresta encantada são também muitos os lagos e lagoas como o "étang" de Pas du Houx com o seu lindíssimo castelo e floresta envolvente.

E quando andava à procura de um guia online para deixar aqui com mais informação, cheguei à conclusão de que fiquei com muito por ver.

23 dezembro 2018

22 dezembro 2018

Namíbia - Walvis Bay (III)

O litoral entre Swakopmund e Walvis Bay, caracteriza-se pela existência de um cordão dunar de enormes dimensões, quer em extensão, quer na altura que as dunas atingem.
Assim, após o nosso passeio de mar da manhã, seguimos em viaturas 4x4 em direcção a Sandwich Harbour, um pouco a Sul de Walvis Bay, que é um dos únicos locais do mundo onde as dunas do deserto se encontram com as ondas do mar.
Como o deserto é um "ente" dinâmico, é frequente, na cota mais baixa, junto ao mar, verem-se vestígios da actividade humana que o deserto tomou como seus.  
O nosso guia era um entusiasta do local; este tinha sido, segundo ele, uma espécie de recreio durante toda a sua juventude e, as alterações constantes que se verificam nas dunas, muitas vezes de um dia para o outro, eram verdadeiramente estimulantes em termos de condução. Dentro do jipe, houve de tudo... quem se assustasse e também quem delirasse.
Quando começámos a subir e chegámos lá cima, os diferentes tons que a areia e o mar assumem provocam contrastes incríveis, que nos fazem sentir a grandiosidade e o esplendor deste sítio.
Estamos a centenas de metros do nível do mar e, como tal, o vento impõe-se... 
não só andar por nós próprios é difícil, como tirar fotografias torna-se um verdadeiro quebra-cabeças, já que não só é custoso mantermo-nos quietos, como a areia entra por todos os lados que não estejam devidamente protegidos, incluindo ouvidos, bolsos dos blusões, e, claro, máquinas fotográficas. 
Nas cumeadas das dunas, para além de haver sempre uma camada de areia em circulação, é frequente verem-se remoinhos com alguma dimensão.
No regresso, parámos, conforme o programado, para um pequeno repasto numa depressão abrigada já conhecida do nosso guia e, já quase a chegar a Walvis Bay, ainda tivemos tempo para nos deliciarmos com este magnífico pôr-do-sol.

15 dezembro 2018

Namíbia - Walvis Bay (II)

Efectuado o primeiro reconhecimento, lá fomos à procura do catamaran que nos havia de preencher a manhã, com uma volta pela baía.  Os primeiros a nos darem as boas-vindas, foram os pelicanos...
Assim que zarpámos, apareceram os lobos-marinhos, não só a acompanharem a expedição, competindo em velocidade com a embarcação, 
como a quererem boleia de vez em quando, saltando sem qualquer timidez para o convés. Por lá, apesar de terem orelhas, chamam-lhes focas-do-cabo.
Mas, no que se refere a convívio de perto, os pelicanos também não lhes ficaram atrás; durante a viagem, acho que ficámos a saber tudo o que há para saber sobre estas simpáticas aves e curiosos mamíferos, já que a operadora, uma namibiana com uns sessenta e tal anos, era uma verdadeira entusiasta destas duas espécies.
Lá mais para o meio da baía, começámos a ser acompanhados por golfinhos que, como sempre,
proporcionam momentos francamente agradáveis onde quer que seja, a que não podemos ficar indiferentes. Baleias, só na época das migrações...
Mais ou menos no mesmo local, aparece uma enorme zona destinada aos viveiros de ostras, que forneceram um dos principais ingredientes do almoço que, entretanto, nos foi servido a bordo; verdadeiramente deliciosas, quer em consistência, quer em sabor.
Continuando, até ao lado oposto da baía, percebemos de onde vêm os lobos-marinhos... uma colónia  com umas largas centenas de animais, ali, mesmo à nossa frente; ainda estivemos uns quinze minutos parados, quase à deriva, a observá-los.  
Um pouco mais à frente, já na transição para o mar aberto, imperam os corvos marinhos que, aos milhares, tornam a areia quase preta. Agora, era tempo de voltar ao porto para, depois deste agradável passeio, irmos, durante a tarde, até onde o deserto acaba no mar...