22 março 2021

Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel (3)

Quando se vai a pé até ao cabo Espichel, a primeira coisa que se avista é o farol, obrigatoriamente conspícuo na paisagem.
E a segunda imagem (além do aqueduto que já nos acompanha desde perto da Azóia) é o domo, e o respectivo lanternim, da "Casa da Água" (ou Mãe de Água como há quem assim lhe chame). E para quem, como eu, já foi muitas vezes para essas bandas, a imagem tinha qualquer coisa de estranho que não consegui identificar logo: ok, a pintura era recente, mas não era só isso...

Mais perto, dá para perceber que está em curso uma grande intervenção, destinada a recuperar uma das "grandes obras" mandada empreender em 1770 (juntamente com as já referidas reparações da igreja e a construção da "Casa da Ópera"), por D. José I (que era juiz da Irmandade): a Casa da Água e o aqueduto que trazia água desde a Azóia até ao Santuário.
Já nessa altura, quando ainda não existiam "Dias Mundiais da Água", havia preocupação com o abastecimento das populações, mesmo que deslocadas.
(clicando na foto dá para ampliar)

A construção da casa da água, que serviria "para descanso e refrescamento e lazer", incluía o aqueduto e vários tanques de abastecimento na horta-jardim, que forneciam água e alguns alimentos aos romeiros. Na fotografia abaixo está representado um dos inúmeros tanques da Casa da Água, o único que fica no exterior e que recebe a água através de uma caleira existente no cimo do muro. O interior da Casa da Água deve ser muito interessante com várias fontes e painéis de azulejos. Visita a agendar numa próxima ida ao cabo Espichel. Só quando consultava informação suplementar sobre o Santuário, que podem ver no portal do SIPA, é que percebi o que havia de diferente: do lanternim, até esta reparação, só existiam os pilares de arranque. Ficou mais bonito assim. E espero que recuperem tudo o resto...

13 março 2021

Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel (2)

O culto de Nossa Senhora do Cabo já existiria pelo menos desde 1366, segundo atesta um documento da chancelaria de D. Pedro I. E a Confraria terá sido criada entre 1385 e 1410, reunindo várias freguesias (os círios), cujo número ia aumentando, tal como o número de romeiros.
Com a ermida a tornar-se demasiado pequena, em 1495, inicia-se a construção da primeira igreja e foram também construídas as primeiras hospedarias mas de forma desorganizada.
Em 1662, o quarto Duque de Aveiro manda construir um templo maior, o que não acontece devido à sua condenação à morte, e, só em 1701, tem início a construção da igreja actual, concluída em 1707, e financiada pela família Real (D. Pedro II) e pela Casa do Infantado.
A igreja, que também ainda não consegui visitar, tem a particularidade de grande parte do interior ter sido feito, e custeado, pelos vários círios, que foram acrescentando retábulos, altares, imagens, pinturas, o orgão, etc..
O terremoto de 1755 provocou a queda de parte da cobertura da nave, o que dá origem a grandes obras, nomeadamente para uniformizar os retábulos e para construção da tribuna real na capela-mor.
Antes disso, em 1715, começa a construção das actuais hospedarias, já obedecendo a uma estrutura regular, com dois pisos, dotada de arcadas no rés-do-chão e coberturas de quatro águas. A construção foi faseada, à medida que aumentava a afluência de romeiros e a ala Norte acabou por ficar mais comprida do que a ala Sul.
O terreiro ladeado pelas hospedarias é limitado a Oeste por um cruzeiro. Além das habitações dos romeiros, foram sendo construídos outros edifícios, incluindo a casa da ópera, atualmente em ruínas, e também dois corpos sobrelevados, que unem as torres da igreja às hospedarias, e que correspondem à casa das pratas (no lado esquerdo) e à habitação do capelão ermita (no lado direito).
Uma muito relevante construção adicional foi a Casa da Água (ao fundo na foto), de que falarei outro dia.

07 março 2021

Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel (1)

(clique na imagem para ampliar)
O Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel ou Santuário de Nossa Senhora da Pedra da Mua começou por ser esta pequena Ermida da Memória, construída no séc. XV, e alcandorada sobre a bonita praia dos Lagosteiros, no local onde, segundo a tradição, a imagem milagrosa de Nossa Senhora terá sido descoberta por dois idosos, uma da Caparica e outro de Alcabideche, avisados em sonhos por Deus. São várias as lendas, numas viram a imagem em sonhos, noutros terão visto uma luz sobre o local, noutras ainda terão visto a Senhora subir a íngreme encosta montada numa jumentinha que deixou as suas patas cravadas na rocha.
Esta (ou estas) lenda estará representada nos painéis de azulejos que cobrem as paredes interiores da ermida mas que nunca consegui ver.
Curiosa e bem bonita é a ermida, com a sua planta quadrangular, coberta por um domo pontiagudo que lhe dá um ar mourisco. Na fachada virada para terra pode ver-se uma janela com uma moldura de pedra, actualmente emparedada, ladeada por dois painéis de azulejos, muito danificados, mas onde ainda se conseguem distinguir dois peregrinos. O acesso à capela é feito pela fachada nascente, onde existe um portal cuja moldura de pedra, bastante elaborada, contrasta com a simplicidade da ermida.
Na porta, provavelmente por não se poder entrar, estavam fixados pequenas jarrinhas onde se viam ainda restos de flores.
Terei que lá voltar para ver o interior...

26 fevereiro 2021

Ribeira das Naus e arcadas do Terreiro do Paço

Andando devagar a partir do Cais do Sodré, ao fundo, começa-se a ver o antigo Arsenal da Marinha rodeado lateralmente por um magnífico relvado que, normalmente não se consegue fotografar sem pessoas, já que é um local de eleição contemplativa do Tejo.
Estava uma manhã amena mas as nuvens sobre o rio faziam adivinhar um aguaceiro que realmente se verificou uns minutos depois, embora nem tenha chegado para nos molhar a sério.  
O lago que construíram no interior da antiga doca do Arsenal ficou bastante simpático; ao fundo, mesmo no canto, as portas da Capela de São Roque que recentemente visitámos, embora por motivos tristes. Com retábulos e pinturas lindas é um espaço que vale a pena conhecer caso haja oportunidade, já que está vedado ao público. 

Depois de atravessar o Terreiro do Paço, chegámos às arcadas por baixo da fachada que exibe o Arco da Rua Augusta e sim, conseguimos vê-las sem ninguém… quer para um lado, quer para o outro.

22 fevereiro 2021

No Cais do Sodré...

Um fim-de-semana destes, antes do confinamento a sério mas já com muita gente em casa, bastante cedo, fomos até à baixa de Lisboa. Estacionámos e começámos a andar a pé…
A estátua do Marinheiro ao Leme é realmente mais bonita de se ver sem ninguém por perto. Gostei muito de sentir o Cais do Sodré sem pessoas a amontoarem-se, tal como é costume.
No rio, alguns gastavam energia a remar e, lá mais ao fundo, depois de umas construções em pedra  mais ou menos espontâneas, o velho Cais das Colunas. 

15 fevereiro 2021

De regresso aos Bijagós (6º dia: de novo em Canhambaque)

Depois do ilhéu dos Porcos fomos até Canhambaque. Ver o acampamento dos pescadores e mais uns poilões ;) Este era um bocado "feioso", assim sem folhas...
Pelo caminho demos boleia a um pescador que queria ir comprar mantimentos a terra mas não tinha profundidade para chegar a terra com o barco de pesca.
Como de costume não fui a terra e fiquei a fotografar uns milhafres que andavam por ali e divertida com os porcos que brincavam à beira de água. À beira do acampamento estava um padrão mas não consegui saber a data em que teria sido lá colocado, nem porque estava ali, no meio das ilhas... Na praia, mesmo em frente à lancha, estava um barco de pesca "novinho em folha", ou pelo menos todo arranjadinho, com aquelas pinturas fantásticas. E pronto, ainda fomos ver mais uns poilões e regressámos a bordo. E a "minha praia"? Não dava tempo para ir à praia do Africa Princess e o comandante disse que me levavam a um banco de areia que estava a ficar emerso, mas tive uma ideia muito melhor. Pusemos um cabo grande amarrado pelos dois chicotes na popa do barco e eu mergulhei lá para "dentro". Como estava ainda alguma corrente podia nadar e não havia o risco de ir parar ao continente. Soube-me mesmo bem! Até porque era o último banho naquela água quentinha: a seguir almoçámos e zarpámos para Bissau.

12 fevereiro 2021

De regresso aos Bijagós (6º dia: ilhéu dos Porcos)

Já estávamos no caminho de regresso. Tínhamos ido dormir, mais uma vez, entre o ilhéu dos Porcos e o extremo Norte da ilha de Canhambaque. O programa era ir ver poilões ;) (estavam "atravessados" desde a ilha de Poilão) e visitar também um acampamento de pesca próximo de Inorei. Depois, se fosse possível, antes de regressarmos a Bissau, teríamos um bocadinho de praia. Assim dirigimo-nos primeiro para o ilhéu dos Porcos para ver mais de perto os poilões que se viam do Africa Princess. O poilão (Ceiba pentandra), além do simbolismo relacionado com a ilha a que deu nome, é uma árvore muito bonita com aqueles contrafortes que lhe dão um ar de "árvore das parábolas".
É também a árvore que dá a sumauma. Mas o mais giro desta "praiazinha" foi ver as garças poisadas nos mangais semi submersos e, sobretudo, ver duas crias de abutre (pareceu-me serem de abutre-de-cabeça-branca (Trigonoceps occipitalis)) cujo "ninho" era constituído por folhagens na parte de cima da praia. Ao contrário das crias que existem por cá, nomeadamente as de grifo, estas não fugiram nem se fingiram de mortas.

06 fevereiro 2021

Saudades...


de ver a imensidão do mar... desta vez tínhamos ido aos fósseis, junto às pedreiras que existem no Cabo Mondego.
Ainda encontrámos algumas amonites, uma delas em bom estado de conservação e que está no "museu" cá de casa.

30 janeiro 2021

Marina do Parque das Nações em tempos de Covid

Ao fim de alguns dias em casa, hoje de manhã fui até à marina a pé. Nada de novo, mas sabe sempre bem desentorpecer as pernas junto ao Tejo. O Santa Maria Manuela lá continua à espera de melhores dias e de se poder fazer ao mar. 
A parte da marina que está desativada, assoreada continua; consta que vão lá fazer uma qualquer piscina mas, até lá, estas são as vistas na maré vazia. 
A Onda em aço inoxidável e azulejos oferecida pela Comunidade Luso-Americana à Parque EXPO 98, representando a onda de emigração portuguesa para os EUA faz-nos lembrar a globalização de outras épocas.
Já há algum tempo foram instalados dois tipos de alojamentos flutuantes para quem queira ter uma "base" simpática em cima de água ao visitar Lisboa; ambos têm bom ar... um dia destes ainda vou lá pernoitar para ver como é...  

26 janeiro 2021

A Ermida do Restelo

Conhecida nos bairros lisboetas do Restelo e Belém como “a Capelinha”, este templo manuelino foi erguido no início do século XVI, mais precisamente em 1514. O projecto está atribuído ao mestre Diogo de Boitaca e a construção ao mestre Rodrigo Afonso. Construída numa elevação dentro da Cerca dos monges do Mosteiro de Santa Maria de Belém (Mosteiro dos Jerónimos), a Ermida de São Jerónimo é muito sóbria. 

A porta principal é de reduzida dimensão e a decoração é bastante simples - um escudo real, encimado pela coroa, ladeada por duas esferas armilares, símbolos do reinado de D. Manuel I; está virada a ocidente, proporcionando uma vista lindíssima sobre o horizonte, o que sugere que também pudesse desempenhar funções extra-litúrgicas de vigia da entrada da barra do Tejo, em complemento da Torre de Belém, situada ao nível do rio e visível do local – a cobertura exterior é em terraço, para o qual existia outrora uma escada de acesso.

De referir ainda a existência de umas quantas magníficas gárgulas para escoamento de águas e o facto de ter servido de abrigo à sepultura de Pina Manique (1733-1805), fundador da Casa Pia de Lisboa. A última restauração do edifício ocorreu em 1886, sendo considerado monumento nacional desde 1995.