A serra do Gerês é terra de águas, é nesta zona que ocorrem os maiores níveis de precipitação, que vão abastecer inúmeros rios e ribeiras e se formos lá como aconteceu neste Janeiro de 2012, há água por todo o lado, incluindo vinda do céu.
Os pequenos cursos de água, porventura temporários e associados à época, correm por entre enormes calhaus, tornando as florestas dignas de um reino de fadas e elfos.
Uma das cascatas de que mais gosto, e que visito sempre que posso, é a cascata do Arado. No Inverno está decorada com medronhos e azevinhos, mas a cor da água é sempre espantosa, mesmo debaixo de chuva.
Mas também fantástico é o conjunto de quedas de água da Fecha das Barjas, no troço terminal do rio Arado. Há quem as conheça por cascatas do Tahiti, pelos vários véus de água que se formam e pela cor da água dos lagos nos inúmeros patamares (em dias de sol), e principalmente na "lagoa" onde encontra o rio Fafião.
A descida não é fácil (aliás já falámos delas aqui) e existem inúmeros avisos de perigo, mas mesmo assim no Verão estão cheias de banhistas. O ideal será talvez visitá-las num dia e sol no início da Primavera, com muita água e sem dezenas de pessoas, toalhas e montes de roupa...
Descendo pela margem direita é possível admirar as "piscinas" e quedas de água, mais ou menos abruptas,
e chegando ao seu encontro com o rio Fafião é toda uma parede revestida de água que mostra que valeu a pena o esforço para lá chegar.








O PNPG, o nosso único Parque Nacional, celebra hoje 50 anos.
Desta vez como o objectivo era o Outono, comecei pela albufeira de Vilarinho da Furna (fotografia de cima), e segui pela Mata da Albergaria, estrada bem antiga que conserva os marcos romanos (e provavelmente foi construída sobre um caminho ainda mais antigo),
ao longo do rio Homem, até encontrar a estrada entre a vila do Gerês e a Portela do Homem.
Nessa zona havia alguns lameiros bem bonitos, a mostrar uns pastos verdejantes,
e outros mais disfarçados no meio da floresta.
Passada a fronteira (a travessia do Xures é sempre um bom atalho e ainda por cima bonito), ainda fui espreitar as penedias da Peneda,
e, para o fim, ficou uma passagem pelo Mezio.




Quando se vai a pé até ao cabo Espichel, a primeira coisa que se avista é o farol, obrigatoriamente conspícuo na paisagem.

O interior da Casa da Água deve ser muito interessante com várias fontes e painéis de azulejos. Visita a agendar numa próxima ida ao cabo Espichel.
Só quando consultava informação suplementar sobre o Santuário, que podem ver
O culto de Nossa Senhora do Cabo já existiria pelo menos desde 1366, segundo atesta um documento da chancelaria de D. Pedro I. E a Confraria terá sido criada entre 1385 e 1410, reunindo várias freguesias (os círios), cujo número ia aumentando, tal como o número de romeiros.
Além das habitações dos romeiros, foram sendo construídos outros edifícios, incluindo a casa da ópera, atualmente em ruínas, e também dois corpos sobrelevados, que unem as torres da igreja às hospedarias, e que correspondem à casa das pratas (no lado esquerdo) e à habitação do capelão ermita (no lado direito).

e alcandorada sobre a bonita praia dos Lagosteiros, no local onde, segundo a tradição, a imagem milagrosa de Nossa Senhora terá sido descoberta por dois idosos, uma da Caparica e outro de Alcabideche, avisados em sonhos por Deus.
São várias as lendas, numas viram a imagem em sonhos, noutros terão visto uma luz sobre o local, noutras ainda terão visto a Senhora subir a íngreme encosta montada numa jumentinha que deixou as suas patas cravadas na rocha.
Na fachada virada para terra pode ver-se uma janela com uma moldura de pedra, actualmente emparedada, ladeada por dois painéis de azulejos, muito danificados, mas onde ainda se conseguem distinguir dois peregrinos.
O acesso à capela é feito pela fachada nascente, onde existe um portal cuja moldura de pedra, bastante elaborada, contrasta com a simplicidade da ermida.