05 outubro 2009

Um passeio na Bretanha: o "porto museu" de Douarnenez

Na ria de Port Rhu, que limita Douarnenez por Oeste localiza-se o Port musée. A exposição "em terra", sob o lema do "nosso" Torga "L'Universel? C'est le local sans les murs" aborda as "sociedades e as culturas marítimas na Bretanha e no Mundo", através de 200 embarcações e 5 000 objectos, analisando as razões que os faz serem a expressão da identidade de uma terra ou de um povo.
Na exposição "flutuante" podem visitar-se, por fora e por dentro, uma embarcação de extracção e transporte de areias, um lagosteiro bretão, uma barcaça do Tamisa e um rebocador a vapor britânico, que incluem apresentações de som e imagem.
Na margem esquerda da ria localiza-se o barco-farol Scarweather, a primeira aquisição do "porto museu".
Para além do "porto museu", a ria é também muito procurada para abrigo da navegação de recreio. Para além do estacionamento a montante e jusante da ponte, existe ainda um porto de recreio em Tréboul que dispõe de 60 lugares para visitantes.
A embocadura de Port Rhu é protegida pela ilha Tristan, que tem acesso em maré baixa.

21 setembro 2009

O "castelo dos mouros", em Sintra

O castelo dos Mouros constituía o centro de defesa e controle sobre um território vasto, essencialmente rural, no extremo ocidental do Garb al-Andaluz, o que aconteceu durante pelo menos cerca de quatro séculos, isto é, desde a sua fundação até momentos imediatamente posteriores à Reconquista. Pela sua situação geográfica e robustez, era considerado, juntamente com o castelo de Santarém, um dos principais pontos da estrutura militar da Belata - província muçulmana que corresponde mais ao menos ao Ribatejo e Estremadura.
Instalado num dos cumes sobranceiros da Serra de Sintra, numa área de “caos de blocos”, o castelo dos Mouros implanta-se sobre um forte maciço rochoso que, a Noroeste e Norte é aproveitado como defesa natural intransponível, e domina toda uma vasta região de plataformas calcárias circundantes constituídas por terrenos agrícolas.
O castelo apresenta uma planta irregular e é formado por dupla cintura de muralhas. Na muralha exterior abrem-se portas de acesso em rodísio.
A segunda cintura de muralhas inclui cinco torres, de planta quadrangular e uma circular, junto às quais existem ainda vestígios de antigas construções.
No perímetro do castelo existem vários silos árabes, actualmente bastante entulhados.
Existem duas fases distintas de construção: uma mais antiga, datada dos séculos IX-X, e uma segunda fase, que inclui a edificação de algumas das torres existentes e a ampliação do recinto amuralhado, para um grande albacar, tendo em vista a protecção da população ali concentrada, o que é confirmado pela existência de uma cisterna localizada à entrada do castelo.
Em 1147, após a conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, o castelo entregou-se voluntariamente aos cristãos e D. Afonso Henriques confiou então a sua guarda a "30 povoadores" a quem concedeu privilégios através de carta de Foral.
Nos séc. XIV-XV o desenvolvimento da vila velha de Sintra, levou ao lento abandono do castelo.

14 setembro 2009

Um passeio na Bretanha: Pointe du Raz

O 4...
Desta vez vista de terra.
A Pointe du Raz, é uma área protegida "Grand Site de France" de que já falei aqui a propósito do Raz de Sein.
Indo por terra, até ao Cap Sizun, chega-se a uma grande área de estacionamento, pago, junto à "Maison du site". Neste local, para além do centro de interpretação, existe uma grande esplanada, circundada por crêperies e lojas.
No centro de interpretação existe uma exposição permanente, é exibido um filme sobre o local e as suas especificidades e pode-se apanhar um autocarro a gás que vai até ao farol/semáforo.

E assim, depois de uma óptima "gallette complète" e de uma taça de cidra (cidre brut, pois claro!), apanhámos o autocarro (também se pode ir a pé mas demora cerca de 20 minutos e o tempo era um recurso escasso).
A Pointe du Raz é daqueles sítios onde vale a pena ir, quanto mais não seja pela vista: ao fundo vê-se a ilha de Sein e a separá-los o famoso Raz de Sein, desta vez sossegado apesar do tempo farrusco.
A norte, entre esta e a Pointe de Van localiza-se a baía dos Trépassés (nome "conquistado" devido aos inúmeros naufrágios que aconteciam nesta zona)

09 setembro 2009

Um passeio na Bretanha: de Quimper até à Pointe de Penmarc'h

Ou seja do 0 ao 3...
O ponto de chegada foi Quimper, já que o interesse da envolvente permitia ficar 2 noites.
Da cidade florida partimos um pouco para Sul e fomos espreitar Pont Aven, a "cidade dos pintores", junto ao rio do mesmo nome.
Percebe-se porque serviu de base a uma escola de pintura, mas está um bocadinho turística de mais.
Depois fomos "picando" a margem direita, cheia de ostreículturas que vendem "au détail", até Port Manech e de lá fomos espreitar Concarneau com a sua vila fortificada:
No caminho para a Pointe de Penmarc'h passámos por Fouesnant e Bénodet, duas terras muito bonitas onde não parámos, e a passagem por cima do estuário do l'Odet é espectacular.
Em Eckmühl, na Pointe de Penmarc'h, os faróis acumulam-se: a torre onde acendiam as fogueiras, o farol antigo, o farol actual e o semáforo e ainda uma exposição com a história dos faróis.
Também dá para perceber porquê:

É engraçado que o farol de Eckmühl está mesmo no meio da povoação!

Um passeio na Bretanha

Desta vez o passeio foi de carro: 1600 + 1600 km de Lisboa à Bretanha e volta, e mais 2300 km de passeio pelo país dos corsários, das grandes marés, dos megalitos e dos celtas...
E sim, 44 etapas! E mais duas suplementares no caminho de regresso...
Mas não, não vão sair daqui 46 artigos sobre a viagem... Algumas destas etapas terão direito a honras de um artigo específico, mas outras vão ser agrupadas e contadas em conjunto.
Aqui ficam para já alguns apontamentos sobre a viagem:
1 - Nunca passem por Bordéus em hora de ponta: é muito pior do que fazer a 2ª circular!
2 - Na Bretanha faz bom tempo várias vezes ao dia! E sobretudo, não chove, mas por vezes a "condensação" é muita! O que pode atrasar alguns percursos de carro...
3 - O nosso carro de apoio portou-se muito bem!
4 - O frigorífico de ligar ao isqueiro deu imenso jeito
5 - A Bretanha é "província": muitos restaurantes deixam de servir às 14h e quase todos às 21h30
6 - O mapa da Michelin à escala 1:200 mil tem os caminhos TODOS!
As cartas de apoio são da Via Michelin in www.viamichelin.fr

03 setembro 2009

Rio Sabor

França, Parque Natural de Montesinho.

29 agosto 2009

No farol do cabo Espichel

Aproveitei também o programa da Ciência Viva no Verão sobre faróis para ir visitar o farol do cabo Espichel, em Sesimbra
Construído em 1870, é um dos mais antigos do país. Foi automatizado em 1989.

Características:
Fl W 4s
Altura: 32 m
Altitude: 168 m
Alcance 26 MN

Actualmente funciona com uma lâmpada de 1000 w (a outra que se vê na foto é suplente).
Apesar de o dia não estar famoso, a vista dali é sempre bonita

21 agosto 2009

Ainda na Arrábida: mais algumas "jóias"

O forte de Nossa Senhora ou de Santa Maria da Arrábida (em cima) foi construído entre 1670 e 1676, por ordem do regente D. Pedro, para reforçar a defesa do convento e do portinho. Durante cerca de 40 anos, até 1976, foi pousada e estalagem (bem gira por sinal). Em 1978 foi entregue ao Parque Natural da Arrábida e desde 1981 é o Museu Oceanográfico de Setúbal (vale a pena visitar).
É uma pena aquele terraço não ser aproveitado para um restaurante.
O Forte de Santiago do Outão (em baixo) começou por ser uma torre de vigilância da barra do Sado, construída em 1390, por ordem de D. João I: uma das mais antigas fortificações marítimas portuguesas.
No 3º quartel do século XVI foi construída a cerca abaluartada em redor dessa torre e, entre 1643 e 1657 foi ampliada a fortaleza. Já no século XIX foi instalado o farol e, em 1890, foi adaptado a residência de veraneio, para o rei D. Carlos (tinha bom gosto!).
Em 1900 foi adaptado a sanatório.
O palácio da Comenda (em baixo), projecto de Raúl Lino, foi construído no início do século XX. O palácio e a quinta que o envolve, onde existem inúmeros vestígios arqueológicos, são espectaculares.

14 agosto 2009

14 de Agosto de 1385

O Campo Militar de S. Jorge testemunha o local onde se travou, a 14 de Agosto de 1385, uma batalha entre dois exércitos régios e um dos acontecimentos mais decisivos da história de Portugal: a Batalha de Aljubarrota.
No campo militar significou a utilização de uma táctica inovadora (experimentada na batalha de Atoleiros), onde os homens de armas apeados foram capazes de vencer a poderosa cavalaria medieval. No campo diplomático, permitiu a aliança entre Portugal e Inglaterra. No campo político, resolveu a disputa que dividia o Reino de Portugal do Reino de Castela e Leão, permitindo a afirmação de Portugal como Reino independente. Tornou possível também que se iniciasse uma das épocas mais grandiosas da história de Portugal, a época dos descobrimentos.
Confrontaram-se dois pretendentes ao trono: D. Juan I de Castela e Leão e D. João I, Mestre de Avis, que fora aclamado Rei de Portugal 4 meses antes nas Cortes de Coimbra. O exército castelhano era numérica e militarmente superior ao português; no entanto, D. Nuno Álvares Pereira que comandava o exército nacional, concretizou um sistema táctico antes e durante o confronto, que acabou por levar Portugal à vitória.
Adaptação de excertos do “Folheto de Divulgação da Fundação Batalha de Aljubarrota”

06 agosto 2009

Da Amoreira à Arrifana (4): o Ribat da Arrifana

Citado em diversos textos islâmicos e por historiadores ulteriores, o ribat al-Rihana (convento-fortaleza), fundado pelo mestre sufi Abû-l-Qâsim Ahmad Ibn al-Husayn Ibn Qasî, na Ponta da Atalaia em Aljezur, só foi identificado, em 2001, pelos arqueólogos Rosa e Mário Varela Gomes.
A análise da informação histórica e arqueológica permite considerar que o ribat terá sido erguido por volta de 1130 e abandonado a partir de 1151, depois do assassinato do líder espiritual seu fundador e da perseguição movida aos seus seguidores.
Nas escavações foram identificados testemunhos arquitectónicos de três mesquitas, com qiblas e respectivos mihrabs, devidamente orientados para Meca, sendo uma delas de grandes dimensões e de construção mais “recente”.
Na extremidade poente da Ponta da Atalaia, localizava-se uma pequena mesquita, um minarete e “muro de orações”. A presença do minarete confere-lhe uma importância que a localização, quase debruçada sobre o Oceano, já indicava.
Na zona central foram identificadas um conjunto de celas, orientadas para nordeste, desde a arriba norte à arriba sul da península da Ponta da Atalaia, que poderão ser alinhamentos de pequenas mesquitas e, mais a poente duas vivendas que poderiam ter pátios.
Na zona mais interior foi descoberto um grande pátio delimitado por muros e dois compartimentos anexos que podem corresponder a uma madraza (escola corânica).
Fonte: textos diversos de Rosa e Mário Varela Gomes