22 julho 2017

Os embondeiros de Angola

Os sobas dizem que os embondeiros já nascem velhos e talvez tenham razão. No meio da savana contemplam o mundo com o vagar da experiência, económicos em gestos: nem sequer se agitam ao vento...
Florescem apenas durante uma noite no ano inteiro, porque têm tempo, muito tempo. A sua vida pode chegar aos seis mil anos e só a sequóia e o cedro japonês os batem em longevidade. De certa forma, são árvores da Criação: nascem com o mundo, já velhas e sábias.
A magia desta árvore reside na sua narrativa. Ela sussurra-nos África... Aquela África de Sol escaldante e chuvas torrenciais, de terra  vermelha e casas de adobe, em perfeita harmonia com a natureza.
Fotos e texto gentilmente cedidos por FCS

18 julho 2017

As "canoas" da Guiné-Bissau


Como Estado arquipelágico que é, é normal que na Guiné-Bissau uma parte dos transportes de pessoas e bens se faça de barco.
Existe um "sistema de transportes" entre o porto de Bissau e as principais ilhas, que foi recentemente melhorado e oferece um serviço regular, através de uns pequenos "cacilheiros", e ainda umas lanchas rápidas para turistas. No entanto, existe também um conjunto de canoas motorizadas que proporcionam um transporte mais flexível e porventura mais "acessível".
Algumas das canoas, como a de cima, exibem pinturas muito coloridas.

Ao longo do nosso passeio pelos Bijagós fomos encontrando estas canoas muito estreitas e compridas, sempre transportando pessoas e carga.

Outras, mais pequenas e movidas sobretudo a vara, são sobretudo utilizadas para a pesca.

09 julho 2017

Lapa de Santa Margarida


Na costa Sul da serra da Arrábida, entre o Portinho e Alpertuche, localiza-se esta ampla gruta cavada pelo mar. No interior localiza-se uma pequena capela (que já vi em melhor estado), dedicada a Santa Margarida, que deu o nome à Lapa, mas existem também vestígios de tempos pre-históricos.
A Lapa de Santa Margarida é uma ampla caverna com duas aberturas, uma na falésia, por onde se processa a entrada, e outra ao nível do mar.


São impressionantes as enormes colunas formadas por estalactites e estalagmites,

bem como os tectos e paredes de brecha e conglomerado com cores que vão do rosa ao cinzento.


Para lá chegar é necessário descer (e depois subir) uma bonita escadaria (infelizmente bastante degradada) escondida pela vegetação de "maquis" que caracteriza a serra da Arrábida. O acesso, que não está assinalado, localiza-se na descida para o Portinho, em frente ao centro de férias da Casa do Gaiato.

02 julho 2017

A propósito de incêndios...



Costa Vicentina, em 2016.

27 junho 2017

Reserva Dark Sky Alqueva


A Reserva Dark Sky® Alqueva foi reconhecida, em Dezembro de 2011, como a primeira Reserva do Mundo a obter a Certificação Starlight Tourism Destination atribuída pela Unesco e pela Organização Mundial do Turismo. Esta certificação abrange parte dos concelhos de Portel, Reguengos de Monsaraz, Alandroal, Mourão, Moura e Barrancos e vem atestar as características únicas do céu nocturno desta zona do Alentejo.

Já tinha feito algumas experiências mas que resultaram sem grande qualidade. Desta vez, com o céu limpo, em noite de lua nova e um zoom razoável já me consegui aproximar mais do que queria.

Claro que para ser a sério precisaria de uma máquina e objectivas melhores, um tripé com uma cabeça móvel que seguisse o movimento das estrelas, de um photoshop que tratasse fotografias em formato "RAW", etc...

Mas vou continuar a tentar melhorar...

Mais aqui sobre a Reserva Dark Sky Alqueva.

17 junho 2017

Cavalinhos


Um dos atractivos da Feira Nacional de Agricultura, que se realiza todos os anos nesta altura em Santarém, são os potros e potras que costumam estar em exposição.
Este ano lá estavam eles, quase todos esparramados na palha, devido ao calor que tem estado.

Alguns dos mais pequeninos e corajosos (ou esfomeados) mamavam,

outros ensaiavam uns passinhos

e os mais crescidos (ou menos pequenos) interagiam com o vizinho do lado com o beneplácito das mães sempre atentas.

Mas há outras coisas interessantes na feira, como as inúmeras máquinas agrícolas e, sobretudo, a nave "Prazer de Provar" onde, além de provar, pode comprar inúmeros produtos locais e regionais, incluindo queijos, enchidos, azeites e vinhos premiados, cerejas, etc.. Acaba amanhã. Mas para o ano haverá mais.

08 junho 2017

Dia Mundial dos Oceanos


É tradição de quem escala o porto da Horta, depois de atravessar uma boa parte do Atlântico, deixar uma pintura alusiva à embarcação em que viajaram. Esta tradição tem vindo a ser replicada noutros portos por este mundo fora.
Para assinalar o dia dedicado aos Oceanos fica aqui este "talhãozinho" que, ainda em branco, faz sonhar com uma futura travessia.

05 junho 2017

Praias e dunas


No Dia Mundial do Ambiente (e no início da época balnear) ficam aqui umas imagens que ilustram como se pode valorizar consideravelmente uma praia, neste caso a praia de Manta Rota no Parque Natural da Ria Formosa.
Na praia só ficaram mesmo os apoios simples, o restaurante foi sobrelevado e está por trás do cordão dunar (foi de lá que tirei a foto e foi onde jantei muito bem) e os passadiços foram levantados permitindo a reconstituição das dunas. Gostei.

29 maio 2017

Praia das Tartarugas

A cavalaria moura tinha, incluído no equipamento de combate, um escudo de couro, com uma forma ovalada, que se chamava Ad dàrga. Com o decorrer do tempo e com a cristianização da Península Ibérica, a palavra evoluiu para adarga, sendo uma protecção muito usada pela infantaria cristã.
As carapaças das tartarugas são, não só rígidas, como têm um formato muito parecido com os escudos de couro usados nos primeiros tempos. Por outro lado, a carne de tartaruga era uma das carnes que podia ser ingerida sem problemas, devido a motivos religiosos, aquando do domínio muçulmano. 
Assim, a captura para obtenção de carne e das carapaças ocorria nos locais onde as tartarugas vinham a terra e, pelos vistos, as pequenas baías e reentrâncias junto ao Cabo da Roca prestavam-se a isso. 
Ou seja, reza a lenda que Praia da Adraga ou Praia das Tartarugas, indica que estamos num dos locais onde se podia obter o material para se fazerem adargas.

23 maio 2017

Florestas submersas


Quando ia assinalar os 19 anos do Oceanário de Lisboa (celebrados ontem), lembrei-me que nunca publicámos nada sobre a "nova" exposição temporária "Florestas Submersas".

E vale mesmo a pena visitar. Depois de entrar por um corredor que mostra as florestas tropicais,

chega-se a uma grande sala forrada de aquários de água doce.

Na sala quase só os aquários estão iluminados, em grande parte por luz natural, e o ambiente convida à tranquilidade.

Para além dos aquários existem também alguns "spots" interactivos, onde se podem ouvir os sons da floresta e dos seus animais.

Vale bem a pena a visita!
Mais aqui

16 maio 2017

Lagares Rupestres

Mais do que uma simples bebida alcoólica milenar, muito além de um simples produto mercadológico, o vinho é também sinónimo de ritual, de lazer, de boa companhia, de mistério a ser desvendado, de obra de arte, de dom divino e tantas outras concepções que podem derivar da relação íntima e única que cada apreciador, existente ao redor do planeta, é capaz de elaborar. Jornal "O Farroupilha" (RS), 04/06/2009
Deleitei-me com este livro, que já vai na 3ª Edição, de autoria de Adérito Medeiros Freitas, também ele o fotógrafo de serviço. Ainda bem que podemos constatar que uma Câmara Municipal, como a de Valpaços, bem no interior deste nosso país, decide apostar na divulgação do seu património mais íntimo: neste caso, lagares rupestres escavados na rocha. 
É fundamental preservá-los e evitar a sua profanação, já que são memórias de outros que, muito antes de nós, perceberam que o vinho era uma bebida realmente mágica. Espreitem aqui .

10 maio 2017

80 Anos! Parabéns Creoula e Santa Maria Manuela


Depois de longos anos na pesca do bacalhau estão agora, com esta linda idade, ao serviço da sociedade, dando a conhecer os mares ao cidadão comum.

07 maio 2017

Um passeio no montado (1)


Há uns anos no âmbito de um trabalho sobre Inovação em Meio Rural recomendaram-me que entrevistasse o Eng.º Francisco Almeida Garrett da Casa Agrícola das Herdades de Monte Novo e Conqueiro. Foi uma das entrevistas mais interessantes que fiz, quer pela simpatia e entusiasmo da pessoa que entrevistei (viram o documentário da BBC, "Forest in a Bottle"?) quer pela diversidade e complementaridade das produções e actividades, na maior parte dos casos cobrindo toda a cadeia de valor e, sobretudo, pelas diversas inovações introduzidas, de forma incremental e continuada.
Desta vez voltei lá num passeio organizado pela Montis. Além de valer pela paisagem, este "passeio da biodiversidade" visava conhecer um modelo de gestão produtiva num território localizado em Rede Natura.

A diversidade do montado aqui é notável, com sobreiros centenários e outros mais novos, áreas de matos e de pastagem, onde conseguimos ver corços e javalis, charcas, pequenas albufeiras e ainda galerias ripícolas que servem de abrigo a inúmeras aves.

O perigo de incêndio é uma das maiores preocupações (se é que não é a maior), levando mesmo a condicionar o acesso à propriedade em épocas críticas. Daí ser fundamental assegurar a gestão dos matos que aliás é feita de forma exemplar: em vez de utilizar grades de discos que são muito "eficientes" mas que não só deixam o solo demasiado descoberto, trazendo problemas de erosão e de redução do seu teor orgânico, como também podem destruir os sistemas de raízes superficiais dos sobreiros, o controlo é feito com recurso a corta-mato que com a ajuda do gado permite manter pastagens "biodiversas".

A diversidade das flores, dominada pelos rosmaninhos, era mesmo notável.

E até encontrámos alguns povoamentos bem conservados de halimium verticillatum, um endemismo lusitano que ocorre nas charnecas de montado.

Mas a propriedade não se limita ao montado. Olivais e vinha que dão origem a um azeite excelente e a vinhos muito agradáveis, pinheiro manso para a produção de pinhão, culturas de luzerna e produção pecuária (bovino mertolengo e porco preto), convivem com a produção de cortiça e ainda com actividades cinegéticas e com uma cultura inovadora de sobreiro de regadio. Mas essa história fica para mais tarde...