15 fevereiro 2009

O Castelo de Silves

Historiadores e arqueólogos defendem que, ao longo dos tempos, a ocupação deste local e a existência de um edifício amuralhado data pelo menos desde a Idade do Ferro, verificando-se posteriormente a ocupação romana e, mais tarde, árabe, cujos vestígios são os mais evidentes devido à sua permanência por quase cinco séculos.
No interior do Castelo encontramos vários elementos dignos de registo, dos quais destacamos a Norte uma grande cisterna que abastecia de água parte significativa da cidade. A nascente, procedem-se neste momento a trabalhos arqueológicos, tendo sido postos a descoberto estruturas de uma habitação do Período Almóada (séc. XIII), que se comporia por dois pisos, um jardim interior e um complexo de banhos.
Os primeiros árabes a ocuparem Silves, eram provenientes do Iémen e a ocupação muçulmana terá ocorrido nas primeiras décadas do séc. VIII, mas as directrizes político-administrativas eram emanadas de Damasco.
É somente por volta do ano de 1027 que Silves se torna independente deste Califado, sendo governado então por Ibne Mozíde e, posteriormente, por seu filho. Em 1051, o governador de Sevilha, Al-Mothadid, inicia as suas conquistas para esta zona e, até 1091, o importante Reino de Taifa de Silves é governado por Al-Muthamid (filho de Al-Mothadid), rei poeta que nos lega uma vasta e importante obra poética.
O Castelo foi tomado pela primeira vez aos árabes por D. Sancho I, em 1189, com o auxílio de cruzados que subiram o rio Arade até às portas da cidade, tendo a praça sido novamente perdida após curto período de ocupação cristã. Com a vinda dos Almorávidas do Norte de África, sucedem-se no trono diversos príncipes, até à nova ocupação protagonizada pelos Almóadas que aqui permaneceram até 1242, altura em D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago, toma definitivamente a cidade. Entra-se então num período de paz e a função meramente defensiva do Castelo deixa de ter sentido, sendo várias as utilizações que lhe foram dadas, entre as quais a de prisão.
In “Folheto de divulgação da Divisão Sócio-cultural da CMS”

6 comentários:

garina do mar disse...

este castelo é muito bonito!!!
as cores das pedras sobretudo são lindas...
mas já há algum tempo que não vou lá, tenho que ir espreitar as arqueologias!

Laurus nobilis disse...

Vale a pena lá ir; para além de ser uma fortificação notável, as muralhas são todas revestidas a arenito vermelho ou grés de Silves, o que lhe dá esta coloração única. Quando lá estive tinha chovido bastante e a pedra ficou com esta côr intensa devido a estar molhada. A CMS está a fazer um bom trablho de recuperação mas, é pena, que tenham permitido a contrução de uma espécie de pavilhão (café???) no interior do castelo...

nautilus disse...

Silves é sem dúvida um "território" interessante, sobretudo pelo papel que tomou na história das conquistas.
E pelo que mostras é também um sítio a visitar. Já se chega lá de barco outra vez?

Laurus nobilis disse...

Não. É pena mas esse projecto ainda não foi concretizado, pelo menos totalmente e que eu saiba.

Marieke disse...

Parabéns aos MIlhas
Bela lição de História
Um abraço
Marieke

Laurus nobilis disse...

Obrigado. Há ainda tanta coisa para ver e mostrar...