11 agosto 2019

Do rio Sungué ao lago Urema (4): as aves


Uma das grandes atracções dos planos de água da Gorongosa são as aves. Na altura em que fui já não se viam os inúmeros ninhos empoleirados nas árvores que bordejam o Sungué e o lago Urema mas ainda se viam alguns juvenis de pelicano junto dos adultos.
E muita outra passarada como as sempre presentes águias pesqueiras,


as inúmeras garças de vários tipos,


e está claro os gansos do Egipto que já tinha mostrado a nadar e que normalmente se reúnem em grandes grupos

mas que não gostam muito do barulho das embarcações.
E está claro que não podiam faltar os "meus amigos" grous coroados, desta vez apanhados de um outro ponto de vista.

Numa próxima haverá mais...

29 julho 2019

Do rio Sungué ao lago Urema (3): os crocodilos


Eram realmente muitos. Aliás são um figurante mais ou menos constante nos planos de água maiorzinhos da Gorongosa. Os da foto de cima, talvez por não nos termos aproximado muito (e porque dentro de água estaria certamente mais frio), deixaram-se estar na margem mas o normal mesmo é irem rapidamente para a água mal se aproxima um carro ou, como neste caso, um barco.

O que é um bocado aborrecido porque não dá para muitas fotografias. Sobretudo se vamos de carro em que praticamente só os vemos de costas.

Neste caso ainda deu para apanhar este grandalhão com ar zangado e depois umas cabeças de crocodilo a flutuar.

As aves essas não acham graça nenhuma, sobretudo quando ainda estão a aprender a voar como estes jovens gansos do Egipto.

E às vezes dá asneira: não conseguimos confirmar mas pareceu mesmo que um crocodilo "ganhou".

O que vale é que "sobram" muitas aves mas essas mostrarei mais tarde...

20 julho 2019

Do rio Sungué ao lago Urema (2): os hipopótamos


Um dos objectivos era ver hipopótamos. Com tanta água eles têm muitos sítios onde se entreter, os acessos aos rios estão dificultados e por isso estão pouco visíveis para os turistas. Ou seja, só de barco ;)
À medida que nos aproximávamos do lago Urema eles iam aparecendo, uma cabeça aqui, outra ali, cada vez mais perto...


Às tantas vimos um fora de água, o que dizem que não é normal durante o dia mas eu já vi mais do que uma vez.

Mas afinal não era só um, eram vários, um dos quais ainda pequeno.

E depois um dos guias faz-nos sinal. Tínhamos chegado à "casa" deles. Ainda começámos a contar mas eram mesmo muitas cabeçorras ou apenas os olhinhos a espreitar na nossa direcção. Talvez tantos como os que tinha visto há uns anos.

Aquele que estava mais perto não gostou e resolveu perseguir-nos. Como estava na hora de regressarmos (afinal eu tinha um transfer para apanhar) já estávamos a afastar-nos deles mas este ainda nos seguiu durante algum tempo.

E fomos contar crocodilos...

14 julho 2019

Do rio Sungué ao lago Urema (1): um passeio de barco na Gorongosa


Há anos (desde o meu regresso à Gorongosa em 2008) que queria fazer este passeio. Sabia que só seria possível em Abril ou Maio quando o rio Sungué estivesse com água suficiente para permitir a entrada das embarcações. Mas o tempo foi passando e havia sempre qualquer coisa que não permitia o passeio: em 2010 havia água mais, em 2014 não havia operador, em 2018 não havia barco, seria em 2019?
Na realidade parecia que não: a minha ida ao Parque em Abril foi cancelada por causa do ciclone Idai (e também se tivesse ido nessa altura haveria água a mais); quando consegui ir no final de Maio começaram por dizer que o barco dos passeios estava avariado (mas entretanto tinham a hipótese de usar o barco do rio Pungué), depois não havia mais turistas que quisessem ir… Por fim, um dos turistas, que inicialmente não estava muito interessado (vinha do Delta do Okavango), lá se deixou convencer mas já só daria para ir no dia em que me vinha embora... Expliquei na recepção que o transfer para a Beira só podia sair às 11h ;) , e como felizmente o motorista não tinha que regressar à Gorongosa e assim até podia ir dormir a casa, o passeio ficou finalmente!! marcado.
Às 5h30 da manhã estávamos de saída com o barco a reboque e cerca de meia hora depois estavam a pô-lo na água o que não foi tarefa fácil.


Mais peripécia menos peripécia (aqueles carros têm mesmo boa capacidade de tracção) e finalmente estávamos a navegar. Objectivo: chegar à confluência do rio Sungué com o lago Urema, que se via lá ao fundo (tal como aparece na foto abaixo) e tentar ver hipopótamos (e tudo o mais que tivéssemos a sorte de encontrar pelo caminho).

O dia estava um bocado farrusco o que teve algumas vantagens: não iria estar muito calor e, quando o sol furava as nuvens, a paisagem ficava banhada por uma luz fabulosa.

Era lindo ver as margens e as árvores ao longe

reflectidas na água e na ligeira bruma que se formava sobre o lago quando o sol aquecia um pouco.

E sobretudo ver os animais a beber no rio sem saberem bem se deviam fugir daquele veículo barulhento...

(continua…)

01 julho 2019

Namíbia - Opuwo / Kunene


Na manhã seguinte fizemo-nos novamente à estrada, em direcção ao Noroeste do país; pelo caminho ainda parámos uma ou duas vezes para apreciar estes majestosos "ninhos" de térmitas, bastante mais altos que qualquer um de nós. 
Já passava um pouco da hora de almoço quando chegámos ao Uukwaluudhi Safari Lodge e, junto a uma magnífica e convidativa piscina, esta era a paisagem... uma enorme planície com capim, muito amarelo, a perder de vista.
Antes da independência e enquanto protectorado sul-africano, este local foi um dos eleitos para o treino das tropas de elite sul-africanas; os vestígios desses tempos ainda vão sendo visíveis... a relativa proximidade com a fronteira angolana não deve ser alheia a este facto, já que o exército sul-africano fez inúmeras incursões no território do seu vizinho do Norte, aquando da guerra civil naquele país.
No entanto, hoje em dia, graças a uma paz duradoura e ao empenho dos empresários turísticos locais, a fauna voltou... para além dos animais habituais nestas grandes savanas, estes dois chamaram-nos a atenção.
O corolário deste dia foi um magnífico pôr-do-Sol... sentados em cadeiras de lona, a bebericar gin tónico e a apreciar alguns petiscos locais como acompanhamento. Inesquecível!
Na manhã seguinte, ainda tivemos oportunidade de passar junto a uma aldeia  do povo Himba que, até à fronteira Norte, povoa aqui e ali o território.  Migraram de Angola para a Namíbia há algumas centenas de anos, em busca de solos mais férteis para o seu gado. Uma das suas características mais conhecidas é o tom avermelhado da pele e dos cabelos das mulheres. A razão para isto é a utilização de Otjize, que não é mais do que uma pasta constituída por manteiga, gordura e ocre encarnado, por vezes perfumado com rezina aromatizada e que é aplicada duas vezes por dia nas tranças - verdadeiras obras de arte - e no corpo.

25 junho 2019

Company's garden: um jardim que é de todos


"Respeite aqueles que trabalharam para construir e desenvolver o nosso país e (Acredite que a África do Sul pertence a todos os que nela vivem, unidos na nossa diversidade)"
Esta frase é do preâmbulo da Constituição da África do Sul e está gravada (bem como outros extractos) numa das entradas do Jardim da Companhia.
Nessa entrada está também um arco - o Arch for Arch - erguido em homenagem ao Arcebispo (Archbishop) Desmond Tutu.

Num dos lados do jardim, perto do Arco, localiza-se a Catedral de St. George, conhecida como a "catedral do povo" porque manteve sempre as portas abertas para as pessoas de todas as raças durante o apartheid. Foi também aqui que Desmond Tutu liderou uma manifestação com 30 mil pessoas em 1989.

O que é certo é que uma das estátuas do jardim é a de Cecil Rhodes, que apesar de odiado por muitos, nomeadamente por acreditar que a raça anglo saxónica era "a primeira raça do mundo" e pelas formas pouco ortodoxas como colonizou uma grande parte da África subsahariana, faz parte daqueles que trabalharam para construir e desenvolver a África do Sul e por isso deve ser respeitado.

No topo oposto à entrada do Arco está (por enquanto) o museu Iziko da África do Sul, mas essa é uma história que contarei mais tarde,

e, dominando tudo, a "Montanha da Mesa" que será também objecto de outro artigo.

15 junho 2019

Company's garden: abastecimento de frescos aos navios


No coração da cidade do Cabo existe um jardim histórico: o jardim da Companhia que alberga também um jardim de vegetais.
(clique para aumentar)
Este jardim foi criado na sequência do naufrágio no navio holandês Haarlem que ocorreu em 1644 próximo da cidade do Cabo. Parte da tripulação instalou-se junto de uma ribeira e plantou as sementes que traziam a bordo. Os vegetais colhidos permitiram-lhes reforçar a comida que negociavam com as populações locais.
Quando foram salvos e regressaram à Holanda dois dos sobreviventes sugeriram à Companhia Holandesa da Índia de Leste (Vereenigde Oostindische Compagnie) que criasse uma base de abastecimento de frescos nesta zona. E assim Jan van Riebeeck, comandando os navios Drommedaris, Reiger e Goede Hoop, foi enviado para a cidade do Cabo onde chegou em Abril de 1652, com a missão de encontrar os melhores terrenos para criar um jardim de vegetais e árvores de fruto.

A pereira da fotografia abaixo (que já precisa de "ajuda" para se manter de pé) foi plantada nessa altura.

O chefe jardineiro Hendrik Boom criou também um jardim de ervas e plantas medicinais e mandou plantar árvores ornamentais e flores.

A alameda abaixo é a mais antiga avenida da cidade do Cabo e o jardim, agora rodeado de prédios é muito frequentado pelos habitantes locais.

Numa das orlas do jardim localiza-se o edifício que alberga durante metade do ano o Parlamento da África do Sul.

06 junho 2019

Dois novos leões na Gorongosa


Gosto muito da picada do Urema (ver aqui). A seguir ao Mussicadzi e ao pôr do sol no Sungué é um dos percursos que gosto sempre de fazer. Ao contrário dos guias que torcem sempre o nariz: é verdade que a picada é mais longa que as outras e que no troço inicial não se vêem muitos animais, mas (opinião minha) os que se vêem são sempre interessantes. E a parte final, que corre junto ao rio, é verdadeiramente bonita.
Como desta vez as picadas mais próximas do lago Urema estavam ainda alagadas, lá consegui convencer o guia a fazermos a picada e depois virávamos para a 7 (não se conseguia chegar à 11) para tentar ver búfalos ou elefantes.
Mesmo assim, depois de termos visto uma família de pala-palas (Hippotragus niger) com adultos e crias, um elefante e um grupo de gondongas (Alcelaphus buselaphus lichtensteinii), ele continuava a dizer "it's a long road…". E de repente "leão!!!". Estava um leão parado na estrada!


Começámos a aproximar-nos devagarinho e o leão entrou para o mato. Quando estávamos mais perto, e percebemos que estavam restos de uma caçada no meio da estrada, o leão sai decididamente na nossa direcção. Uups… era um leão desconhecido, relativamente jovem e por isso potencialmente agressivo, e o carro um carro aberto pelo que recuámos devagarinho até ele parar.

E a seguir sai mais um do mato que se aproximou do primeiro.

Ainda se pegaram um com o outro: se calhar não estavam de acordo sobre o que fazer relativamente à nossa presença.

Depois de "conferenciarem" resolveram deitar-se no meio da estrada e por lá ficaram sem vontade nenhuma de deixar a presa ao nosso alcance.

E nós, como não podíamos passar, demos meia volta, avisámos o guia chefe (pouco depois foram à procura dos leões, desta vez com um carro fechado ;) ) e voltámos a fazer a "long road".